Se Casemiro Pinto Neto é o pai do lanche que carrega o nome de Bauru, José Francisco Júnior, o Zé do Skinão, é o padrasto. Pelo menos era assim que ele mesmo se definia. Essas e outras curiosidades sobre a história desse homem, do lanche e até mesmo da cidade estão documentadas em fotos, entrevistas e peças que ficarão à disposição da população a partir desta tarde, com a inauguração da sala “Zé do Skinão” no Museu Histórico Municipal, às 16h. Também será apresentado o projeto de certificação do sanduíche bauru.
O espaço em sua homenagem foi criado logo após a sua morte, em 2002, por meio da lei municipal n.º 4.884 de autoria do ex-vereador José Eduardo Fernandes Ávila. Ele também é autor da lei que preserva os ingredientes do sanduíche.
Depois de quatro anos, o projeto toma forma graças a doações da família feitas em abril deste ano. “Recebemos cerca de 30 fotos em papel e digitalizadas do Zé do Skinão trabalhando, além do jaleco, bibico (boné) e peças que ele usava para fazer o lanche”, cita a coordenadora do Museu Histórico Municipal e do Museu Regional Ferroviário, Neli Viotto.
A sala também contará com um acervo documental composto por entrevistas realizadas pela Secretaria Municipal de Cultura em 2003. Na ocasião, foram entrevistados o gerente do Ponto Chic, em São Paulo, onde Casemiro Pinto Neto pediu o primeiro bauru; a esposa de Zé do Skinão, Mariana Sanches Francisco, e um dos filhos do casal e atual dono do Skinão Lanches, Marco Antônio Saches Francisco. “As entrevistas contam um pouco da história do bauru; do seu inventor, o Casemiro, e seu divulgador, o Zé, e ficarão disponíveis para consulta”, diz Viotto.
Além disso, a população terá acesso à receita do legítimo bauru graças a um trabalho de pesquisa de funcionários da SMC. “Conseguimos inclusive um documento registrado em cartório em 2005 pelas herdeiras de Casemiro com a receita do legítimo bauru: pão francês sem miolo, fatias de rosbife, rodelas de tomate italiano e mussarela derretida em banho-maria”, conta a diretora de pesquisa e documentação da SMC, Cynthia Bombini Ferreira, que encaminhou o processo para ser registrado no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), onde segue em andamento.
Todo o acervo relacionado ao comerciante ocupará a sala antes destinada à era do rádio. De acordo com Viotto, o material que ficava no local está sendo catalogado e deverá ser levado no ano que vem para o prédio da antiga estação da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, que abrigará o futuro Museu da Imagem e do Som.
A história do homem responsável por colocar o nome de Bauru na ponta da língua de todo o Brasil será agora preservada para o contento da população e da família. “Por tudo que meu pai fez pelo lanche e por Bauru, é muito gratificante ter este espaço dedicado a ele. Acho que ele nunca imaginou que um dia receberia uma homenagem como essa”, diz Marco Antônio Sanches Francisco, o Marquinhos.
• Serviço
Inauguração da sala “Zé do Skinão” e lançamento do Projeto de Certificação do Sanduíche Bauru hoje, às 16h, no Museu Histórico Municipal (rua Antônio Alves, 13-31). Mais informações: (14) 3227-7320.
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História
O sanduíche bauru foi criado na década de 30 pelo bauruense Casemiro Pinto Neto, morto em 1983. Como sofria de problemas estomacais, o então estudante de direito da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco pediu na lanchonete Ponto Chic, em São Paulo, um sanduíche saudável e saboroso.
O lanche agradou e passou a ser divulgado com o apelido do inventor da receita. Na década de 50, José Francisco Júnior - falecido em 2002 - conheceu o lanche em São Paulo e, em 1973, quando soube que o Ponto Chic iria fechar, decidiu começar a fazer o legítimo bauru na lanchonete que havia comprado em 1971.
Depois de três anos, o Ponto Chic foi reinaugurado e, atualmente, conta com quatro lojas na Capital. O Skinão Lanches, que funcionou por mais de 30 anos na avenida Rodrigues Alves, ocupa há três anos um espaço nos Altos da Cidade, onde vende, em média, de 150 a 200 sanduíches bauru por dia.
Da Redação