Articulistas

Cresce empreendedorismo nos bairros bauruenses


| Tempo de leitura: 2 min

Estatísticas do Sebrae demonstraram que o brasileiro está em 3º lugar em capacidade empreendedora; a pesquisa complementa, entretanto, que as empresas criadas por brasileiros têm um alto índice de falência já nos primeiros anos. Outras estatísticas demonstram que as pequenas e micro empresas são responsáveis por 70% da economia, aí incluída a economia informal. No 2º semestre de 2005, o programa “Aprender a Empreender” foi aplicado em onze turmas, fruto de trabalho conjunto entre o Sebrae e a área social tanto pública como privada de Bauru.

Essas turmas, das quais apenas duas classes foram realizadas em áreas centrais da cidade (Senai e Sebrae), alcançaram em torno de 140 pessoas. Considerando-se o objetivo social de inclusão de cidadãos dos bairros à essas técnicas básicas necessárias aos empreendedores, pequenas adaptações à sistemática do programa permitiu uma participação de muita significação: aposentados, donas de casa, cabeleireiros, manicures, doceiras, costureiras, artesãos, compondo uma larga faixa etária (desde 20 até 64 anos). Esse significativo contingente teve acesso de forma sistemática aos princípios mínimos para a criação e manutenção de um negócio.

Exercícios muito práticos, em 10 módulos, facilitaram o despertar da visão empreendedora, levando à otimização das características latentes do empreendedor. Driblando eventuais traumas com a matemática, os poucos números a serem considerados para um investimento cuidadoso, um controle simplificado e “amistoso” entre os micro-empresários e as finanças, e o preparo para o crescimento dos negócios quebraram preconceitos. Dar perenidade aos empreendimentos está subjacente a todo o treinamento; objetiva-se que a média de falências se reduza de forma significativa.

A riqueza da participação nos bairros de Bauru se mostrou no interesse de cada uma das pessoas participantes. Com uma maioria de mulheres, flexibilizando os procedimentos da entidade orientadora, participaram: mães ainda amamentando seus bebes; deficientes visuais que traziam seus filhos menores para ajudá-los nos exercícios; em uma das turmas participaram duas senhoras de 64 anos; pessoas que já tinham tido insucesso em pequenos negócios e que queriam evitar outro fracasso... A freqüência foi bastante elevada, e quando precisavam faltar ou ir à médico ou buscar seus filhos na escola, mantinham a presença em cada pedacinho do precioso tempo.

Esse razoável contingente de empreendedores dispersados pela periferia de nossa cidade dedicou-se por 24 horas, distribuídas em 5 ou 6 dias, no aprimorar seus conhecimentos e práticas para investir: plano de negócios, objetivos, recursos, custos fixos e variáveis, margem de contribuição, preço de venda, fluxo de caixa, capital de giro, marketing... E, melhor preparados, cabeleireiros, bordadeiras, confeiteiras, comerciantes, artesãos, estão incrementando hoje um setor da economia tão importante para a nossa cidade. E, devido a entidades como a Fundato, a centros espíritas, centros de solidariedades evangélicos e Sebes, o Sebrae alcança outros contingentes de pequenos empreendedores, tendo a possibilidade de criar cooperativas que catalizarão o trabalho de forma muito rentável.

O autor, Antonio Gerson de Araújo, é economista, professor universitário, consultor e facilitador do Sebrae

Comentários

Comentários