Apenas 13% dos catadores de materiais recicláveis nas ruas de Bauru querem deixar a atividade, conforme pesquisa realizada pela Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes). O levantamento, que ouviu quase 300 integrantes de famílias que vivem da atividade de catar papel, garrafa e papelão na cidade, mostra que a maioria não quer deixar o que faz, apesar das imensas dificuldades diárias, como moradia precária, risco de acidentes nas ruas, exposição ao tempo e, o que é pior, sobrevivência abaixo da linha da pobreza.
A secretária titular da Sebes, Egli Muniz, menciona que a pesquisa realizada por equipe da pasta concluiu que 87% dos catadores não pretendem tentar a sorte em outra atividade. “Eles afirmam, em sua imensa maioria, que estão satisfeitos com a profissão, apesar de apontarem como uma das principais dificuldades o grande preconceito com o trabalho que ainda enfrentam. E deveria ser o inverso dado o resultado incrível que esse pessoal traz para a limpeza pública e a contribuição com o meio ambiente”, comenta Muniz.
A pesquisa aponta que 58% dos abordados pela equipe da Sebes são homens e 42% são mulheres, a maioria sozinhas e com filhos. Outro dado que preocupa é que 77% estão situados na faixa entre 25 a 60 anos. “27% desse pessoal é analfabeto ou semi-analfabeto”, conta a secretária que aponta os programas de Educação para Jovens e Adultos (Cejas) implantados pela prefeitura como a opção para atender esse contingente.
Outro dado alarmente é a renda. 68,76% dos entrevistados têm renda per capita de apenas um quarto de salário mínimo. “Isso não dá mais do que R$ 87,00, valor extremamente baixo. A renda familiar desse grupo também é muito reduzida, com 76,32% com ganho de até R$ 200,00 por mês”, menciona. 34% dos catadores contam, na soma dessa renda, com algum benefício como o Bolsa Família, mas a maioria tem apenas na coleta de materiais nas ruas o ganho mensal.
Os catadores vivem em moradias precárias, improvisadas, sendo poucos com casa própria. O bairro com maior concentração de integrantes do grupo é o Jardim Ivone, onde estão 34% do total de entrevistados. “É o bairro que detém o maior índice de exclusão social de Bauru”, conta Egli Muniz.
O levantamento ainda mostra que 23,3% dos catadores estão concentrados em bairros como o Jardim Ouro Verde, Vila Serrão e Vila Santista, vindo, em seguida, a região do Parque Jaraguá, com 20% dos pesquisados, entre outros.
“39 catadores vivem em moradias precárias, com apenas nove com casa própria simples. A maioria ainda usa o quintal como depósito do material recolhido, gerando problema de saúde nos próprios locais onde vivem”, acrescenta Muniz.
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Cooperativismo
O levantamento realizado pela Sebes está servindo de base para que a Prefeitura de Bauru amplie o projeto de cooperativismo com os catadores de material reciclável, a partir de programa desenvolvido pela Secretaria do Meio Ambiente (Semma). “A associação das cooperativas foi constituída neste ano e esse levantamento vai permitir ação mais focada para agregar esse papel com base na realidade. A prefeitura está abrindo licitação para construir cinco barracões, conforme a distribuição desse pessoal apontado na pesquisa”, cita Egli Muniz.
Por isso, o primeiro barracão será na Pousada da Esperança. Enquanto a licitação caminha, a administração se prepara para organizar os catadores, oferecer treinamento e disseminar ações para que eles atuem em grupos e não isolados.
“A idéia é agregar os grupos em diferentes bairros, com a cooperativa atraindo cada vez mais catadores, eliminando inclusive uma competição pelos materiais que hoje existe nas ruas. Atualmente, eles não estão somando esforços e potencial de geração de renda, pois cada um leva o que consegue para terceiros”, finaliza a secretária.
Outras parcerias estão sendo previstas, como a presença de um núcleo do Cips para oferecer vagas exclusivas para crianças de famílias de catadores, a partir de setembro, treinamento em gestão de pequenos negócios com a participação do Sebrae, orientação para manuseio dos materiais, comportamento adequado nas vias de trânsito e outras medidas que fortaleçam o segmento. “É um pessoal muito sujeito a atropelamentos nas ruas e com pouca noção de higiene ao lidar com os materiais”, ressalta Muniz.