Os hackers não perdoam mais nem sites que divulgam as “baladas”. Anteontem à noite, o www.agitobauru.com.br foi mais uma vez vítima de invasões, que redirecionaram seus usuários para páginas concorrentes e para conteúdos pornográficos. O problema não é inédito conta Thiago de Camargo Barbosa, produtor do site. Em menos de um ano, é a terceira vez que ele sofre com as alterações indesejadas.
Por causa delas, o caso foi registrado no Plantão Policial. “A página só voltou hoje (ontem) pela manhã, por volta das 9h30. Está acontecendo direto”, comenta Maria Aparecida Barbosa, colaboradora do site. A informação foi reiterada pelo delegado do 3.º Distrito Policial, Luís Carlos Amado. Embora não disponha de estatísticas, ele confirma a ascensão das ocorrências.
Nos últimos três anos, só a Comissão de Relações Internacionais e Direito na Internet da subseção de Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), recebeu mais de 30 comunicações de ocorrência desta natureza, apenas no município.
“Esse assunto é extremamente moderno. Quando se cria uma defesa na Internet, ela acaba sendo ultrapassada por outras formas de invasão. A Internet não tem trazido só novas atividades criminosas, como tem potencializado antigas, como difamação, calúnia”, explica o coordenador da comissão, Daniel Freire e Almeida.
Por essa razão, o delegado Amado recomenda aos usuários da rede que evitem disponibilizar dados pessoais e até fotografias. Thiago e Maria Aparecida, por exemplo, localizaram um programa invasor no computador em que o agitobauru é elaborado.
“Alguns protocolos de Internet (como o e-mail) foram concebidos há muitos anos, com pouca preocupação com a segurança dos dados.
Ao utilizar-se deles em locais inseguros - tais como uma rede corporativa, uma lan-house ou acesso via rádio freqüência -, senhas e informações podem ser capturadas com relativa facilidade através de programas conhecidos como “Sniffers”, explica Agnaldo Castellani, proprietário do provedor Laniway Internet Solutions.
De acordo com ele, que conversou pessoalmente com os usuários de Bauru (do site agitobauru), após esta etapa, o “invasor” usa suas próprias credenciais de acesso para alterar o que desejar no website.
Castellani ressalta ainda que outros tipos de comprometimento de segurança em websites ocorrem a partir da utilização de senhas em microcomputadores previamente contaminados com vírus que registram tudo que está sendo digitado. Depois, reportam tais informações “silenciosamente” ao criador do vírus.
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Rastreamento
Os produtores do site agitobauru são conscientes das inúmeras dificuldades a serem superadas até que o invasor seja localizado. No entanto, é possível chegar à autoria do hacker, conforme informou Juliana Abrusio na edição de domingo do JC. De acordo com ela, que é uma das coordenadoras do livro Manual de Direito Eletrônico e Internet, a busca depende de investigação específica.
Na ocasião, ela ressaltou a possibilidade de conseguir uma liminar pedindo a quebra de sigilo do provedor e, com isso, levantar em 24 horas todas as informações sobre o responsável pelas ofensas. No entanto, em muitos casos, o hacker não está nem no País.
Portanto, o caminho para exterminar futuras invasões depende, inclusive, da cooperação entre nações, por meio de tratados internacionais. A avaliação é do coordenador da Comissão de Relações Internacionais e Direito na Internet da subseção de Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Daniel Freire e Almeida.