Os dois homens acusados pelo atentado contra os agricultores do Movimento Terra Nossa garantem que agiram em legítima defesa. À reportagem, Paulo Henrique Alves e Ednilson Ferreira dos Anjos confirmaram que prestam serviços a Roberto Pagani. Ontem pela manhã, o loteador teria sido avisado pelos funcionários que, armados, os sem-terra os estariam ameaçando.
Segundo Anjos, durante a ação, os agricultores teriam usado um caminhão. Contratado para trabalhar como caseiro, ele teria sido despertado com o barulho dos sem-terra e, imediatamente, comunicado o patrão. Pagani confirma a ligação telefônica. Diz que ele mesmo comunicou a PM sobre a situação.
Policiais confirmaram a presença dele numa das bases comunitárias de segurança e em frente ao portão de entrada da propriedade. “Eles (os sem-terra) vieram atrás de mim com pau e foices (ontem pela manhã). Eu estou avisando a polícia faz tempo. É cascata (a versão de atentado)”, afirma Pagani.
De acordo com ele, a ocorrência de ontem é uma reação dos integrantes do movimento frente à decisão da Justiça Federal, que extinguiu a ação movida pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) que pedia a desapropriação da área para fins de reforma agrária.
No entendimento da Justiça, área em litígio não é passível de desapropriação. Por meio da assessoria de imprensa, o Incra informou que tomará as providências necessárias para reverter a situação, mas não detalhou quais serão elas.
“Eles (os agricultores) ficaram nervosos por causa disso (decisão judicial). Como é que eu posso ser expulso da minha própria propriedade? Nenhum funcionário quer trabalhar lá. Estão depredando a fazenda. Eu não consigo plantar nem arrendá-la”, comenta Pagani.
De acordo com ele, os integrantes do movimento estão sendo ludibriados pelo líder do movimento, Celso Costa, que não os explicaria a real situação das terras.