Cultura

Sala ‘Zé do Skinão’ é inaugurada no Museu sob clima de saudade

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

Antes dos barulhos do progresso, a avenida Rodrigues Alves, ou mais precisamente o Skinão Lanches, abrigava políticos, empresários, jornalistas, celebridades e outros trabalhadores que passavam o dia e até mesmo madrugadas em discussões que tinham como pretexto ou finalidade o sanduíche bauru. Nesse clima de saudade, foi inaugurado na tarde de ontem o espaço “Zé do Skinão” no Museu Histórico Municipal.

Entre os presentes, estavam o secretário municipal de Cultura, José Augusto Ribeiro Vinagre; o proprietário da lanchonete Ponto Chic de São Paulo, onde o bauruense Casemiro Pinto Neto inventou o famoso sanduíche em 1937, José Carlos Alves de Souza; o presidente do Conselho Municipal de Turismo de Bauru (Comtur), Helerson de Almeida Balderramas; a esposa de José Francisco Júnior, o Zé do Skinão, Mariana Sanches Francisco e os filhos do casal Júlio César, José Carlos e Marco Antônio Sanches Francisco.

Com um sorriso no rosto e os olhos no passado, dona Mariana se disse muito feliz com a homenagem. “Estou emocionada. Meu marido foi muito importante para Bauru, ele amava demais esta cidade”, afirmou. Um de seus filhos, José Carlos, fez coro à mãe ao lembrar do trabalho do pai. “A meta dele em vida era perpetuar o lanche, por isso me sinto orgulhoso pela lembrança”.

Júlio César se lembrou das brigas do pai para preservar o legítimo bauru. “Se tinha uma coisa que o deixava nervoso era alguém chegar e pedir o lanche com o rosbife bem passado, ou pedir para colocar presunto”, recordou.

Até de madrugada

Na mente do filho caçula e herdeiro da lanchonete, Marco Antônio, a imagem dos anos 80 quando o Skinão funcionava até altas horas da noite. “As calçadas ficavam lotadas. Várias decisões importantes na cidade foram tomadas ali. Não havia violência, assalto”.

E foi exatamente para fugir da insegurança, que começou a afastar os clientes, que o Skinão Lanches, funcionando por mais de 30 anos na avenida Rodrigues Alves, hoje preserva a tradição do bauru nos Altos da Cidade. “Meu pai era meio contra, ele não queria sair do Centro. Mas depois da sua morte (2002), conversamos e decidimos mudar o ponto”, conta Júlio César.

O proprietário da lanchonete Ponto Chic, José Carlos Alves de Souza, também teceu elogios ao Zé do Skinão. “Ele foi o responsável por divulgar o sanduíche, o mais famoso do Brasil. E todos sabemos o quanto significa uma iniciativa como esta (da sala) num País desmemoriado como o nosso. Sinto-me orgulhoso em participar da história da cidade sem limites”, disse.

As histórias e as glórias de Zé do Skinão são maiores do que a pequena sala do museu pode preservar. No local, há apenas algumas fotos e peças utilizadas pelo comerciante durante o trabalho. Mas, segundo Vinagre, no ano que vem o público poderá contar com um espaço maior. “A reestruturação dos museus começou na semana passada com a reformulação do Museu Ferroviário e continuará em 2007 com a nova sede do Museu Histórico, que funcionará no prédio da antiga estação da Companhia Paulista de Estradas de Ferro”, afirmou.

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