Polícia

Outra central telefônica é desmontada

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

Após receber uma denúncia de que numa casa da zona oeste de Bauru funcionava uma central telefônica, policiais militares foram ao local e flagraram uma mulher de 23 anos transferindo uma ligação de um detento de uma penitenciária de Pirajuí para outro preso de Avaré. Somente ontem pela manhã, mais de 50 chamadas passaram pela central, a segunda desmontada em Bauru nos últimos dias.

Na sexta-feira passada, uma adolescente foi flagrada por policiais militares falando ao telefone com seu marido, que está preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru, a partir de sua casa, no Núcleo Mary Dota. No local havia uma agenda com diversos números e uma programação com nomes e horários. Na central telefônica apreendida ontem também havia uma relação com números de telefones que supostamente eram de presos.

De acordo com o sargento Edson Borges, da Força Tática da PM, a mulher flagrada conversando com um preso disse que a central estava funcionando há quatro dias e que apenas ontem pela manhã ela havia feito mais de 50 transferências de chamadas. Porém, os policiais desconfiam da informação porque foi achada uma conta telefônica referente ao mês de abril de mais de R$ 3,5 mil.

Como o valor é alto, a suspeita é que na época o telefone já era usado para realizar transferências de chamadas, de um presídio para outro. De posse de um celular, o detento liga para o telefone fixo que, com o serviço de transferência de chamadas, repassa a ligação para o número solicitado – celular ou fixo.

Após receber a denúncia dando conta da existência da central telefônica, policiais do Tático e da Base Oeste foram à residência indicada e entraram com autorização da dona da casa, mãe da mulher que operava a central. Além do aparelho de telefone fixo foram apreendidos um celular, uma bina, uma relação com números de telefones, contas de telefone e cartas de presos endereçadas a outras pessoas.

Também foi apreendido um RG com a foto da mulher que operava a central telefônica com indícios de adulteração. Borges acredita que a foto tenha sido colada em RG pertencente a outra pessoa. O caso foi registrado no 1º. Distrito Policial, que vai solicitar perícia para comprovar se o documento é falso ou não.

O delegado Dernival Mauro Inforzato, titular do 1.º DP, explica que a mulher poderá responder por uso de documento falso se a perícia comprovar a irregularidade no RG. Também será investigado se o telefone estava regularmente instalado e se as contas de telefone estão sendo pagas ou há crime de estelionato. Até ontem, a polícia não tinha elementos para ligar a central telefônica ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Desde maio, após o primeiro ataque da facção criminosa, já foram desmontadas mais de dez centrais telefônicas em Bauru.

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