Economia & Negócios

Em Bauru, desempregado tem mais de 30 anos e ensino médio

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 4 min

Mais de 30 anos, ensino médio completo, experiência em serviços gerais e conhecimentos básicos de informática. Esse é o perfil da maioria dos desempregados bauruenses, que em geral não conseguem voltar ao mercado antes de completar oito meses sem trabalho, conforme constatou o Jornal da Cidade através de levantamento feito em três instituições de recursos humanos do município, inclusive o centro de orientação para o trabalho da prefeitura.

Essa realidade retrata bem a situação de Aparecido Valentim, 40 anos, que está desocupado desde novembro do ano passado. Ele não tem o ensino médio completo, nem é especializado em alguma atividade profissional. Sua carteira de trabalho aponta cinco ocupações anteriores, sendo a última como operador de máquina. “Tem empresa que já me acha velho demais para me dar um emprego. Minha principal dificuldade está sendo a idade”, comenta.

A técnica em processamento de dados Helena Gonçalves, 50 anos, também está disponível para o mercado de trabalho. Há quatro anos procura por emprego. Para ela, a idade também tem sido o grande empecilho para conseguir um serviço. “Ninguém quer me dar emprego porque já estou na faixa dos 50 (anos). Eles acham que a gente fica doente com maior facilidade e que não temos disposição para um bom desempenho. Isso não é verdade, sem contar que eles se esquecem da experiência que os mais velhos têm”, observa.

Gonçalves e Valentim não reclamam à toa. “Atualmente, as empresas preferem pessoas mais novas porque o trabalhador com menos de 30 anos poderá ter mais tempo de casa, assim, não haveria risco de perda de investimentos”, explica a analista de recursos humanos Natália Rodeguero. Ela aponta ainda que a preferência também é motivada pela maior dificuldade que os mais jovens têm de desenvolver doenças que os impossibilitem de trabalhar.

Estudo

As dificuldades encontradas para reconquistar uma vaga no mercado de trabalho motivaram Valentim a retomar os estudos. Hoje, ele cursa o supletivo do ensino médio. “Não dá para ficar sem estudar. Ter estudo é fundamental para arrumar um serviço bom, onde se paga um salário considerável”, avalia.

“De fato, retornar à escola é muito importante para quem está sem emprego. Quanto mais rápido voltar a estudar, mais rápido poderá conseguir um trabalho ou alcançar um posto superior no caso de quem está trabalhando”, ressalta Rodeguero. Segundo ela, pessoas com baixa escolaridade demoram, em média, oito meses para voltar ao mercado, na maioria das vezes, em serviços informais.

Mas não é apenas o currículo que não apresenta conhecimentos agregados e as exigências atuais do mercado que mantém essas pessoas longe de reconquistar um posto de trabalho.

De acordo com a consultora organizacional Regina Torres, muita gente que está desocupada resiste ao aprimoramento profissional, tão necessário nos dias de hoje. “O desempregado peca muito na competência profissional. Nos currículos que vejo e nas entrevistas que faço, percebo que essas pessoas são resistentes à tecnologia, à proatividade, ao trabalho em equipe”, destaca.

Segundo a consultora, muita gente prefere optar por um serviço de pouca remuneração ou ainda continuar procurando uma vaga no mercado, a assumir um trabalho que exige maior comprometimento, inovação e, sobretudo, desafios. “Também observo essa tendência entre os jovens. Muitos não têm expectativa profissional, acham que o diploma da faculdade basta. Hoje, a situação exige cada vez mais do trabalhador, principalmente no sentido de desenvolvimento pessoal”, acrescenta.

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Seguro-desemprego

Reduzir gastos e, se possível, poupar dinheiro, é o mais indicado para quem está desempregado e recebendo o seguro do governo. A orientação é do economista Fernando Pinho, que ressalta a necessidade do corte de algumas despesas para enfrentar o difícil período do desemprego. O cigarro, a bebida, os passeios e os alimentos supérfluos têm de fazer parte dessa lista, orienta ele.

“O celular e o carro também são coisas custosas que devem ser poupadas neste momento. Além disso, é importante que a pessoa guarde um pouquinho do seguro-desemprego na poupança para ter um suporte caso ainda esteja desempregado quando o benefício for cortado. Mas, claro, essa possibilidade vai depender do valor do seguro”, acrescenta o economista.

De acordo com a analista de recursos humanos Natália Rodeguero, a maior parte dos desocupados que procuram a instituição onde ela trabalha admite comprar jornal, principalmente aos domingos, com o único objetivo de verificar o caderno de Classificados.

“Percebemos também que essas pessoas têm muitas dificuldades em falar e escrever corretamente. Há muita gente também com dificuldades de atenção e raciocínio lógico”, destaca. Essas deficiências de competência profissional e o desinteresse por meios de comunicação que extrapolam a programação da TV também podem ser explicadas pela baixa escolaridade que a maioria dos desempregados de Bauru apresenta.

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Classificados

O caderno de Classificados do Jornal da Cidade está entre as alternativas mais procuradas pelas pessoas que buscam emprego em Bauru e região. Semanalmente, mais de 300 ofertas de trabalho são publicadas no veículo, mais da metade aos domingos, justamente quando as vendas em bancas são maiores.

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