Recentemente, o Jornal da Cidade publicou em seu caderno “JC nos Bairros” extensa reportagem sob o título “Bibliotecas públicas estão às moscas”, de autoria do ilustre e criativo jornalista Rodrigo Ferrari que, em oito textos sobre locais diferentes, abordou uma triste e preocupante realidade.
O jornalista, após realizar uma verdadeira maratona em várias bibliotecas de Bauru, tanto públicas como escolares, indo a fundo trouxe à tona, para conhecimento público, a apatia em que as mesmas vivem e sobrevivem pela ausência de leitores, freqüentadores e de infra-estrutura. Ao parabenizar o jornalista, quero evidenciar que esta realidade que também é do seu conhecimento não pode desmerecer ou caracterizar o bauruense, pois, infelizmente, trata-se de uma carência nacional.
O brasileiro é um povo que não tem o hábito da leitura, este é um seu perfil cultural que poderá - tudo dependendo da consciência e vontade política dos nossos governantes - ser modificado em décadas. Leva tempo, muito tempo, pois é um ponto da educação cujos frutos nunca aparecem na geração presente, mas nas futuras. Há uma verdade inquestionável e que jamais poderá ser abafada ou desconsiderada: povo que lê, pensa grande, progride e tem desenvolvimento, ao contrário daquele que não lê que pensa pequeno, pensa varejinho.
No período do aniversário de Bauru, de 1 a 14 de agosto, esteve estacionado na Praça Rui Barbosa um belíssimo e sofisticado ônibus com a Biblioteca Móvel Itapemirim, parceria daquela empresa de transporte com Maurício de Sousa, Shell e Prefeitura Municipal. Segundo informações do seu responsável, outro ônibus similar encontrava-se em uma Capital do Norte do País e há projeção para mais 18 bibliotecas.
Apesar do seu acervo variado e rico, a freqüência foi inexpressiva, pífia! Poucos entraram, somente por curiosidade! Tive a oportunidade e felicidade de, por motivos de visitas a familiares, conhecer alguns aeroportos americanos e um fato chamou minha atenção, de como as pessoas que aguardavam os embarques e conexões liam, principalmente os jovens! Acredito que este fato também deve ter sido observado por outros bauruenses que por lá passaram.
Nestas férias, recebi a visita de dois netos americanos que aqui ficaram dois meses; um deles, de 14 anos, trouxe dois livros grossos para leitura e tive que arrumar um terceiro! Alternava futebol, computador e leitura. Através das escolas de ensino infantil, fundamental, médio e da mídia deverá ser desenvolvido um trabalho a longo prazo para criar o “vício salutar da leitura”.
O brasileiro, para o seu próprio bem, também tem de se transformar em um povo viciado em livros, sem abolir outros meios de comunicação e lazer! Não é fácil e imediato, mas esta realidade tem de ser mudada gradativamente.
A responsabilidade maior e primeira caberá aos nosso governantes, através de algumas medidas efetivas e contínuas. Que os livros infantis, juvenis e para adultos, de todas as linhas sejam subsidiados pelos governos e empresários sem seleção de alguns, como recentemente fez com insucesso o MEC. Mas subsídios para todos os livros, de acordo com a preferência de cada um, com livre escolha.
Atualmente, os livros são caros, inacessíveis! Que as TVs, rádios e jornais sejam motivados e incorporados nesse movimento com programas chamativos idealizados e dirigidos por especialistas com o aproveitamento das novelas que têm grande audiência. Que sejam promovidos concursos literários infantis, para jovens e adultos em níveis nacional, regional e local com prêmios motivadores, como viagens, bolsas, coleções, aparelhos e outros. Que os pais encontrem tempo para leituras de jornais e livros em frente aos filhos, e que comentem acerca das mesmas com eles, pois o exemplo é fundamental.
Outras medidas podem e devem ser adotadas pelos governantes, não apenas em um governo, mas através dos governos. Que entendam que neste mundo globalizado, é muito importante e necessário que já se comece a plantar para o presente e futuro senão ficaremos à margem do desenvolvimento!
Joaquim Eliseo Mendes - professor