Cultura

Cisne Negro abre Mostra de Dança

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

Movimentos mágicos que atenuam o corpo e expõem a alma. No mesmo palco, o lúdico e a técnica estão nos passos dos bailarinos da prestigiada Cisne Negro Companhia de Dança, de São Paulo, que abre nesta noite a VI Mostra de Dança de Bauru com as coreografias “Trilhas” e “Anéis” no Serviço Social do Comércio (Sesc). Os ingressos já estão esgotados.

Depois do sucesso da apresentação realizada em julho em Temuco, no Chile, a companhia mostra pela primeira vez no Brasil a coreografia “Trilhas”. “Em Bauru faremos a pré-estréia do balé. A estréia oficial está prevista para a última semana de setembro no Teatro Alfa, em São Paulo”, conta a fundadora da companhia e atual diretora artística, Hulda Bittencourt.

Idealizado pelo coreógrafo brasileiro Antônio Gomes, erradicado há 20 anos em Genebra, na Suíça, e com música do também brasileiro Ney Rosauro, o espetáculo aborda um tema simples, mas profundo: a trajetória humana. Em cena, dez bailarinos dançam com vigor os altos e baixos da vida.

“São movimentos fortes e que exigem uma técnica boa. Nossos bailarinos têm uma excelente técnica clássica, fundamental para qualquer tipo de coreografia”, diz Bittencourt. “Trilhas” ainda conta com desenho de luz de Antônio Gomes e figurinos de Gustavo Silvestre.

Com quatro anos em cartaz, a segunda coreografia, “Anéis”, trará 12 bailarinos num balé feminino e romântico. “As crianças usam anéis e chegam à maturidade também com anéis. O anel é muito romântico!”, diz a diretora, cuja filha, Dany Bittencourt, é a responsável pela coreografia.

Com música de Adriana Calcanhoto e figurino de Eduardo Ferreira, “Anéis” partiu de uma proposta inusitada, vinda de uma laboratório farmacêutico. “Recebi a encomenda para coreografar algo relacionado a anéis, porque o laboratório ia lançar um anticoncepcional feminino nesse formato. Adorei o desafio e conversamos com a Adriana, nossa amiga, que também topou na hora”, lembra Bittencourt.

30 anos

Em 2007, a Companhia Cisne Negro comemorará 30 anos de atividades. No início, não havia a intenção de formar um grupo profissional, o único incentivo da idealizadora Hulda Bittencourt era a paixão pela dança. “Comecei a receber no meu grupo homens atletas que queriam dançar. Há 30 anos, isso era muito difícil. O desafio compensou. Hoje, a maioria deles trabalha com dança, inclusive no Exterior”, recorda.

A aproximação desses dois universos deu ao grupo sua característica principal: uma dança espontânea, energética, viril e de grande qualidade técnica e artística. O reconhecimento nacional e internacional veio com muito esforço. “Lamentavelmente, muitos de nossos bailarinos ainda procuram o aeroporto e vão embora. Mas acredito que o cenário brasileiro está mudando, tanto é que estamos aí há muito tempo”, afirma.

Os trabalhos da Cisne Negro foram apresentados nas principais cidades do Brasil e na Inglaterra, Estados Unidos, Canadá, Espanha, Uruguai, Argentina, Alemanha, África do Sul e Chile. O grupo exibiu-se como um modelo de trabalho dentro da dança brasileira, com um trabalho construído com profissionalismo e paixão.

Atualmente, a companhia conta com 12 bailarinos fixos e alguns estagiários e planeja para o ano que vem o lançamento do primeiro livro sobre o grupo. Para Bittencourt, o segredo do sucesso está justamente no amor ao trabalho. “Hoje contamos com patrocínios importantes, como o da Petrobras, e conseguimos isso porque toda minha vida foi dedicada à dança”, diz.

• Serviço

Sesc e Prefeitura Municipal apresentam Cisne Negro Cia. de Dança hoje, às 21h, no ginásio de eventos da unidade (avenida Aureliano Cardia, 6-71). Ingressos esgotados. Mais informações: (14) 3235-1751.

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