Regional

Casa de advogada do PCC é atacada em Araraquara

Por Cláudio Dias | Tribuna Impressa Especial para o JC
| Tempo de leitura: 3 min

Araraquara - Uma bomba caseira explodiu no quintal da casa da advogada Ariane dos Anjos, na avenida Doutor Leite de Moraes, na Vila Xavier, por volta das 0h30 de ontem, em Araraquara (117 quilômetros de Bauru). A ação não foi registrada pela polícia como atentado. Houve danos na parede e ninguém ficou ferido.

O caso pode ter relação com o crime organizado. A advogada é uma das defensoras do assaltante Marcos Camacho, o Marcola, líder do PCC. Ariane vai depor dia 6 de setembro, na CPI do Tráfico de Armas, em Brasília.

A advogada não estava em casa no momento da explosão. Ela viajava para atender a um cliente. A irmã foi quem ouviu o artefato rolando no corredor, antes da detonação. “O barulho foi muito forte e até assustou o bebê”, conta a jovem, que não viu de onde veio a bomba.

Com o estouro, parte de uma parede foi danificada. Uma madeira da porta do escritório da advogada também caiu. Os familiares não descartam a possibilidade de alguém ter invadido a residência. Nada foi levado. Pela manhã, um perito recolheu o que sobrou do material da bomba. O artefato caseiro foi feito com pólvora negra como em bombinhas de festa junina, mas com reforço de dezenas de pequenas bolinhas. Segundo a Polícia Científica, o material será encaminhado para análise em São Paulo. Em Araraquara, não existe equipamento para identificar os elementos do artefato. Não existe prazo específico para a conclusão do laudo.

O caso pode ter relação com o crime organizado. A advogada vai depor dia 6 de setembro, na CPI do Tráfico de Armas, em Brasília. Ela está na lista de profissionais com supostas ligações com o PCC. Para Ariane, o caso precisa ser investigado porque, na opinião dela, foi um ataque direcionado. A advogada defendeu Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pela polícia como líder do PCC. “Não acredito que essa bomba tenha sido jogada por algum dos meus clientes”, conta a profissional.

Fora da cidade

A advogada Ariane dos Anjos vai tirar hoje da casa a avó e seu filho por, pelo menos, uma semana temendo novos ataques. “Vou levá-los para São Paulo até o meu depoimento na CPI do Tráfico de Armas em Brasília”, diz. Ela acredita que o autor do atentado pretendia ferir seus familiares, pois, na sua opinião, deveria saber que ela estava na Capital participando de uma audiência. A família só retornará para Araraquara depois que ela esclarecer a suposta participação com o crime organizado.

Ariane será ouvida como testemunha pelo deputado federal Moroni Torgan (PFL-CE), que preside a CPI. Mesmo chamada pela Comissão, ela encaminhou um oficio pedindo que fosse intimada. Ela tem escritório em Araraquara, mas defende presos por todo o Estado. Em 2005, ela atendeu Marcola por seis vezes; sendo três na Penitenciária de Araraquara. A última visita feita ao suposto chefe do PCC aconteceu em 14 de dezembro do ano passado. Outros 34 advogados estão sendo investigados pela CPI.

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Sem pistas

O delegado Jesus Nazaré Romão, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), disse ontem que ainda não tinha pistas sobre a autoria do atentado. Ele preferiu não se manifestar se o caso teria sido realizado pela facção criminosa. “Até agora nós não sabemos nada”. Romão vai intimar a advogada para tentar entender o que aconteceu durante a madrugada de ontem. A polícia ainda vai ficar na espera do laudo técnico.

Investigação

Jamil Nascimento, presidente da 5.ª Subsecção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Araraquara, disse ontem que a explosão na casa da colega precisar ter uma investigação rigorosa por parte da polícia. “Ela ainda não procurou a Ordem para pedir a apoio, mas amanhã (hoje) vamos nos reunir com a diretoria, analisar o caso e montar uma comissão para talvez acompanhar a investigação”, diz Nascimento preferindo não ligar o ataque a facção criminosa.

A OAB ainda vai oficiar a diretoria em São Paulo para cobrar agilidade na apuração do fato, identificação do autor e qualidade no laudo técnico. Araraquara tem hoje cerca de 1.250 advogados.

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