Brasília - A CPI dos Sanguessugas já tem indícios que 60 prefeituras estariam supostamente envolvidas com a máfia das ambulâncias.
O sub-relator de sistematização da CPI, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), apresentou ontem um cruzamento de dados que aponta a ligação de 37 parlamentares que teriam recebido propina do empresário Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planam - empresa acusada de liderar o esquema - com prefeituras que acabaram sendo beneficiadas pela compra de ambulâncias.
“O cruzamento vai apresentar indícios de que municípios que receberam emendas de deputados, que por sua vez receberam propina do Vedoin, também tiveram prefeitos que ganharam dinheiro do empresário para conseguirem ambulâncias”, explicou.
Sampaio ainda vai analisar os dados para chegar ao número final de prefeituras envolvidas nas fraudes. Mas lembrou que as 60 prefeituras foram mencionadas pelo próprio Vedoin em depoimento à Justiça. “Todas as vezes que o Vedoin falou, comprovou o que disse. Tentar desacreditá-lo só fortalece os demais envolvidos”, afirmou.
Os 37 parlamentares foram escolhidos para análise da CPI por terem recebido, em suas próprias contas bancárias ou de familiares e assessores, recursos da Planam. “A nossa preocupação foi identificar os 37 parlamentares que receberam os depósitos. Depois, fomos analisar todas as emendas de ambulâncias que eles apresentaram. Por fim, fomos ao depoimento do Vedoin ver que prefeito tinha recebido propina para chegarmos a essas conclusões”, explicou Sampaio.
Envolvimento direto
O levantamento indica o envolvimento direto de 21 municípios com parlamentares contra os quais a comissão diz ter provas de suposto envolvimento com a máfia das ambulâncias.
Das 60 prefeituras, apenas 40 receberam as ambulâncias. Mas, apenas 21 municípios foram contemplados com ambulâncias pagas com recursos de emendas dos 37 parlamentares que receberam depósitos de Vedoin em suas contas bancárias ou de assessores e parentes.
“Além de emendas individuais, há emendas de bancadas dos partidos. Há parlamentares que gerenciavam regionalmente emendas, e pelas bancadas é muito difícil identificar esses parlamentares”, afirmou o sub-relator.
Recordistas em propina
O Estado do Mato Grosso aparece no levantamento da CPI como o Estado com o maior número de prefeituras que teriam recebido propina de Vedoin: 11 no total.
O segundo colocado é o Rio de Janeiro, com oito prefeituras suspeitas de envolvimento no esquema. Já o Estado de São Paulo aparece com apenas duas prefeituras que estariam envolvidas nas fraudes: Piacatu e Vinhedo.
Quando a análise dos dados é feita por partido, o PMDB aparece em primeiro lugar, com 18 prefeituras que teriam recebido recursos de Vedoin. O PFL é o segundo, com 12 entre as 60 prefeituras com indícios de corrupção. O levantamento mostra, ainda, que o município de Nova Marilândia, no Mato Grosso, teria recebido o maior montante em propina: R$ 125,4 mil.
O menor valor, de R$ 2 mil, foi recebido pelos municípios Colorado do Oeste (RO), Ministro Andreazza (RJ) e Corumbiara (RO). Segundo a CPI, as propinas teriam sido pagas por Vedoin entre fevereiro de 2002 e julho de 2005.
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Prefeitos negam
Brasília - Prefeitos ouvidos pela reportagem negaram ter recebido propina ou feito qualquer negociação com os donos da Planam.
Por meio de sua assessoria, o prefeito João Carlos Donato (PL), de Vinhedo (SP), disse que “nunca fez qualquer acordo ilícito com a Planam”. A assessoria do prefeito disse que o nome dele não foi citado em depoimento de Luiz Vedoin. Apenas a cidade teria sido citada por ele. A prefeitura confirmou ter adquirido duas ambulâncias da Planam, mas diz ter documento do Ministério da Saúde que comprovaria que a transação foi feita dentro da lei.
O prefeito de Nova Marilândia (MT), José Aparecido dos Santos (PFL), atribuiu a um equívoco o fato de ter sido citado pela CPI.
Segundo ele, Vedoin não disse ter pago propina a ele. Santos nega ter recebido qualquer tipo de vantagem. Os outros prefeitos não foram localizados.