Política

Papel do deputado estadual divide sabatina de candidatos

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

A distorção do sistema político partidário e de representação no País e a falta de representatividade da cidade nas instâncias estaduais e federais influenciam os candidatos a deputado estadual, assim como boa parte dos eleitores, a insistirem na tecla de que é melhor para a cidade eleger aquele que “trará recursos para Bauru”. Porém, ontem, no segundo encontro do projeto Bauru+ 10, no auditório 1 da Unesp, pelo menos quatro dos 10 candidatos locais a uma vaga na Assembléia Legislativa (AL) paulista defenderam que o papel do parlamentar não é ser "despachante do governador" na aprovação de recursos para sua região.

Embora, na prática, o modelo político aponte para essa inversão de papéis em relação ao parlamentar, alguns dos nove candidatos que participaram do fórum Bauru+10 trataram de resistir a esta lógica, ainda que os discursos possam ter apontado para esse conteúdo sob forte influência do período eleitoral e da cobrança por reforma no sistema e na conduta dos candidatáveis.

Mesmo com o formato do evento privilegiando a apresentação das candidaturas, alguns dos presentes se esforçaram na tentativa de recolocar os papéis em seus lugares ideais na vida pública. Ao responder sobre como agiria diante de reivindicações em infra-estrutura para Bauru, por exemplo, o candidato Antonio Carlos Barbosa (PMDB) foi direto: “Planejar ações e decidir sobre investimentos é papel do Executivo. É claro que o deputado pode ajudar a cobrar, pedir, dentro do que for possível junto ao Estado. Mas não cabe ao deputado vir e dizer como a cidade vai se desenvolver. Ele pode ser o canal”.

O representante na chapa petista, Roque Ferreira, fez questão de se definir como candidato de interesse de classe, contra o sistema capitalista e para representar o trabalhador na Assembléia. “Minha candidatura expressa minha realidade política, me reivindico marxista e política é feita de prática. Sou candidato para agir em defesa do serviço público, o fim das privatizações, o combate ao racismo e defesa de políticas universalistas”, definiu o petista em direção à corrente minoritária ideológica de esquerda no partido.

Indagado sobre como faria para ajudar a resolver as carências na área de saúde no Estado, Isaias Daibem (PSOL) reiterou que há distorção do papel do deputado. “Cada poder tem seu conteúdo e papel específicos. O do deputado é ser legislador e fiscalizador. E como tal o deputado só tem a tribuna para reclamar, pedir e participar da pressão, junto com a sociedade organizada, para que suas reivindicações sejam atendidas. O poder do parlamentar é limitado para isso”, confirmou.

Majô Jandreice (PC do B) também apontou para a mesma linha de fortalecimento do papel do deputado em plenário, ao invés de sua transformação em “conquistador de verbas ou investimentos”. “Desejo cumprir esta tarefa de fazer cumprir a Constituição e as leis no Estado, de fiscalizar e acompanhar as ações do governo. Reivindico também maior participação feminina no espaço político”, citou.

Temas variados

Outros candidatos presentes ao encontro aproveitaram a oportunidade de apresentação para o público para defender o voto caseiro. Dos 10 candidatos locais à AL, apenas Pedro Tobias (PSDB) não compareceu, por ter assumido, segundo ele, agenda em outra localidade.

Em sua apresentação, Faria Neto (PDT) lembrou que Bauru já contou com dois deputados estaduais e um federal de forma simultânea. “Agora dá para eleger até três deputados estaduais. Minha sugestão é que se faça uma pesquisa e o bauruense concentre o voto nos três mais bem colocados, para não disperçar o voto e que os demais renunciem em favor desses para ajudar a cidade a eleger mais deputados”, arriscou.

Ricardo Oliveira (PTB) disse que pode colaborar com o Estado e a região se valendo de sua experiência como assessor do governo estadual no período em que Fleury Filho foi governador. Ele também abordou que a cláusula de barreira, em sua opinião, vai fortalecer os partidos e provocar o fim das legendas de aluguel após a eleição deste ano.

Elizabeth Carvalho (Prona) apresentou seu currículo e o fato de ser médica como um diferencial. Ela criticou o nível de miséria no País e as políticas públicas de Saúde.

Nilson Costa (PPS) lembrou que já foi vereador e prefeito, tendo sido pioneiro em medidas como o projeto que permitiu adicionar flúor à agua. Para o ex-prefeito, o cenário político de crise no país desestimula o eleitor. Sobre seu papel, Nilson prometeu usar sua experiência “na Assembléia Legislativa e levar as propostas de desenvolvimento do Bauru+10 para a Assembléia”.

Luiz Carlos Valle (PV) aproveitou o espaço de apresentação para apontar que acredita na eleição de representantes pelo seu partido com votação próxima de 30 mil votos, coeficiente bem menor que o necessário para eleger um deputado por legendas maiores. “O corte pelo PV foi de apenas 28 mil votos na última eleição e se Bauru me der respaldo há grande chance de eu me eleger”, apostou.

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