Os produtores rurais de Bauru e região que participaram ontem do 1.º Seminário Regional de Biodiesel, não ficaram convencidos com a viabilidade do projeto. Para a maioria, ainda falta transparência quanto à prática e os resultados da proposta.
“Não adianta fazermos plantio às escuras para depois ter prejuízos. Muitas dúvidas ainda não foram esclarecidas. Precisamos que esse programa nos garanta, sobretudo, preço e incentivo através de financiamentos”, comenta João Virgínio, produtor agrícola num assentamento de terra em Piratininga.
“Eles começam a falar de cima para baixo, usando a parte técnica de todo o projeto do biodiesel. Isso não é suficiente para nós, produtores. Precisamos de explicações mais claras. Entre os agricultores da minha cidade (Pirajuí), o assunto biodiesel ainda é novidade”, ressalta Jonas Bottacini, presidente do Sindicato Rural de Pirajuí.
Ele sugere que o governo estabeleça um preço mínimo para o grão que será produzido visando o biodiesel, o que deve ser assegurado em lei. “Esse valor tem de ser atrelado ao financiamento que o produtor rural vai fazer para plantar a cultura destinada à produção do biodiesel. E amanhã, se esse produtor não tiver quem compre a sua produção, é o governo que tem de ficar devendo para o banco”, diz.
De fato, o debate realizado ontem em Bauru deixou muitas lacunas sobre a viabilidade do projeto. Pouco se falou, por exemplo, sobre a exigência da lei quanto a participação de 30% da agricultura familiar na execução do projeto.
Gil Miguel Câmara, professor do departamento de produção vegetal da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), acredita que o governo está sendo precipitado. “Está havendo uma propaganda excessiva sobre um produto que a gente sabe que as matérias-primas, em área territorial, não têm condições de atender ao programa B-2 (isto é, a adição de 2% de biodiesel em todo o diesel utilizado no País a partir de 2008)”, aponta.