Economia & Negócios

Indústrias estão reticentes, diz especialista

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 1 min

Cláudio Brisolara, integrante da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp) e especialista em biodiesel, critica a meta do governo federal em incentivar, prioritariamente, a produção de biocombustível nos Estados do Norte e Nordeste do Brasil. Segundo ele, essa atitude prejudica o projeto como um todo, já que Estados mais desenvolvidos, como é o caso de São Paulo - que poderia contribuir muito com o desenvolvimento da proposta - ainda pouco dominam o assunto.

“Por conta disso, as indústrias que estão se instalando no Sudeste estão reticentes quanto aos rumos do programa. Elas precisam de mais transparência sobre o projeto para poder investir. Isso vai atrasar a proposta”, acredita.

Frederic Abreu, coordenador-geral de agroenergia do Ministério da Agricultura, Agropecuária e Abastecimento, discorda de Brisolara. Ele explica que o incentivo tem de ser dado, primeiramente, à agricultura familiar, realidade que é mais presente no Norte e Nordeste. Ele diz ainda que as condições socioculturais dessas regiões também justificam a atitude do governo.

“Essas regiões (Norte e Nordeste) são menos desenvolvidas que a Sudeste. Portanto, é uma oportunidade para oferecer a elas condições para se desenvolver”, diz. Abreu considera que o grande desafio do biodiesel no Brasil é o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). “O fato de a taxa ser estadual não possibilita um consenso entre os Estados, o que acaba provocando uma guerra fiscal”.

Para ele, o Brasil é o País que mais tem condições de produzir biodiesel no mundo por conta de sua localização geográfica. Sua estimativa é de que, em 2010, a produção do combustível no País chegue a 7 bilhões de litros.

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