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Banco de dados dos crimes


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Tem hora que qualquer pessoa perde a esperança na melhoria social do Brasil. No período das campanhas fica claro que seremos eternamente o país do futuro, por ser abstração inalcançável. Pelos argumentos dos candidatos, fica claro por que o Brasil não sai do fundo do poço. Tanto são péssimos os candidatos quanto os jornalistas e analistas políticos que posam de intelectuais de primeira e não são capazes de formularem uma pergunta consistente com abordagem profunda sobre um tema. Fazem debates tão profundos quanto um vácuo.

Os argumentos são genéricos, abstratos, infundados, superficiais, descabidos. Lula defende ética depois que não sobrou um da sua equipe de todos os tempos, a não ser o pagador-mor de suas contas pessoais, num cargo mediano. Geraldo, além de esconder o sobrenome, ensina como combater a violência, depois que deixou o PCC dominar o Estado. E os sem chance falam categoricamente que eleitos fariam isso, aquilo, desconsiderando a lógica de percentual zero ou quase. Ora, ao menos digam que são candidatos para aproveitar o horário gratuito para colocarem algumas idéias em discussão.

Sem nenhum constrangimento, todos participam do circo patético com o beija, levanta, belisca bochecha de crianças; saboreiam petiscos em botecos, buchadas de pode. Só se compara ao “no limite”, aquela excrescência global, que foi seguida por vários programas de quinta categoria das televisões. A inteligência do leitor que se dane!

Não faltam novidades; claro. Depois de 506 anos descobriram que a educação brasileira não tem qualidade nenhuma, que a violência precisa ser combatida. E aí tudo, absolutamente tudo, passa a ser prioridade. Desconhecem o significado da palavra. E vão resolver sem dizer com quais recursos e e medidas. Pela ótica do governo a responsabilidade pelos altos índices de violência e da sociedade, por não ter aprovado o plebiscito do desarmamento. Não mencionam que a maioria das armas utilizadas pelo Primeiro Comando da Capital – PCC e pelos bandidos em geral é legal, retirada de quartéis ou de policiais.

Mas existe solução para a violência. Mas não seria o banco de dados, a mais prometidas pelos candidatos. Olha, não fosse no Brasil, seria um acinte o Estado ainda não ter um banco de dados. Mesmo que não fosse igual ao do FBI, somente com os recursos da própria Administração daria para criar um bando de dados único para incluir todas as condenações, todos os processos e inquéritos de todas as justiças e polícias do país. Bastaria se informar como funciona, ou até requerer uma cópia, do programa de dados de eleitores do Tribunal Superior Eleitoral. Lá existem os dados de mais de cento e trinta milhões de inscrições. Alcança todo o país e funciona muitíssimo bem. Na Receita Federal deve existir semelhante; no INSS, o dos aposentados e pensionistas e em outros órgãos.

A promessa de um banco de dados derrotaria qualquer candidato à presidência em qualquer país em desenvolvimento e até em alguns subdesenvolvidos. O pool de computadores se deu no início da década de oitenta no Brasil. Se criarem agora, são duas décadas de atraso, no mínimo. Se criarem este banco de dados, não servirá de mote de campanha nas próximas eleições. Isso não será problema, pois a pobreza terá aumentado significativamente as bolsas misérias, que orgulharão o presidente da época e elegerão o candidato da situação, com aplausos dos analistas políticos. Só no Brasil!

O autor, Pedro Cardoso da Costa, é bacharel em Direito

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