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O Brasil terá jeito


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O último resultado do DataFolha/Globo aponta a vitória de Lula já no primeiro turno. Indica que Lula tem 51% das intenções de votos, enquanto Alckmin aparece com 27%, Heloisa Helena com 10% e Cristovan Buarque com 1%. A margem de erro é de 2%, indecisos totalizam 6% e votos nulos mais 6%. Nos indecisos e nulos mais a margem de erro é que reside sempre a justificativa das empresas de pesquisa para seus resultados. Veja bem: a somatória da margem de erro, mais indecisos, mais nulos, é 14%. Os 14% com os 44% (soma dos votos direcionados aos concorrentes de Lula) dão 58% e, claro, com tudo isso a favor, Lula cairia para 42%, tendo seguramente o segundo turno.

Essa conta é a mais otimista. Podemos dividir ao meio e teriamos 51% aos três candidatos (mais metade dos nulos, indecisos e margem de erro) que aparecem de segundo ao quarto lugares e o primeiro colocado (Lula), com 49%. O que pretendo é mostrar um outro lado dos números exibidos pelo DataFolha. Não estou certo de que tenhamos definição da eleição majoritária no primeiro turno. Estamos a um mês da eleição e muita água vai correr sob a ponte. Outro dia mesmo vimos um PSDB mais agressivo e até o próprio FHC batendo forte no Lula. Na verdade, havia o comentário de que Alckmin estava correndo isoladamente em sua campanha. Mas ontem vimos que a situação é bem diferente e, pelo comportamento dos tucanos, podemos concluir por boa esperança. Em termos práticos, procurei fazer uma pergunta boca a boca aos que me rodeiam (de todas as classes sócio-econômicas). São poucos os eleitores de Lula e mesmo os que não apresentam bom índice de informação, apontam as “maracutaias” do atual governo.

Não que queiramos ter o direito de julgar, nem de fazer valer minha opinião pessoal. Porém, algo está muito estranho na campanha majoritária deste ano e o inconformismo é geral quanto aos resultados divulgados de pesquisas efetuadas, muito mais pelo inconformismo com relação aos fatos que macularam nosso cenário político nos últimos anos, envolvendo eleitos de todos os escalões e especialmente de partidos ligados ao governo. Inconformismo maior recai sobre a quase certa eleição de políticos que renunciaram a seus mandatos (envolvidos nos escândalos) e hoje se apresentam como candidatos e com direito à imunidade parlamentar.

De qualquer forma, até mesmo visando penas justas a quem de fato causou um rombo tão grande quanto inédito em nossa história pllítica, prefiro ficar com os números mais otimistas, confiante de que a justiça irá imperar. E o Brasil terá jeito.

O autor, Renato Cardoso, é publicitário

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