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Morrer é o maior medo do bauruense

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Nada assusta mais o bauruense do que a morte. Essa foi a constatação de uma pesquisa feita em Bauru, Marília e Garça pelas empresas Sampling Pesquisa de Mercado e Limite Consultoria. De acordo com o levantamento, o medo de morrer é maior entre os homens e afeta principalmente os mais jovens e as pessoas com nível de escolaridade médio.

Das 145 pessoas entrevistadas, 19% revelaram que a morte é o que mais assusta. Mais do que a pobreza (15%), doença (12%) e a violência (6%). Há também aqueles que disseram não ter medo de nada, o que representou 15% dos entrevistados, mesmo índice daqueles que disseram ter medo de uma eventual crise financeira. Assim como na região, a pesquisa também foi feita entre junho e julho do ano passado em todo o Estado de São Paulo e o resultado foi o mesmo, sendo divulgado recentemente.

Mas o que explica esse pavor das pessoas pela morte? Será o medo do desconhecido? De não saber exatamente o que acontecerá após a morte? Psicólogos ouvidos pelo Jornal da Cidade acreditam que sim.

“O medo da morte paira na cabeça das pessoas porque ela é inevitável e desconhecida. A pessoa se sente impotente diante da morte. Quando as pessoas acreditam que existe uma continuidade de vida, isso ameniza o medo”, afirma a psicóloga Maria Lúcia Biem.

O temor do desconhecido também foi apontado pela psicoterapeuta cognitiva Suzana Duque Dabus como uma das razões para as pessoas terem tanto medo da morte. “É uma experiência que nós não conhecemos”, justifica.

De acordo com a pesquisa, a morte foi lembrada mais por homens (20%) do que por mulheres (17%) na região de Bauru. No Estado, a proporção foi exatamente a mesma (18%).

Na opinião da psicóloga Maria Lúcia Biem, por ser mais cético do que a mulher, o homem tem uma tendência a sentir mais medo da morte. “A mulher, por ser mais emocional e romântica, se deixa influenciar mais por questões de religião e fé, em que encontra um conforto maior.”

Situação financeira

Depois da morte, o que mais preocupa os homens, segundo a pesquisa, é a situação financeira. Já as mulheres se mostram mais preocupadas com doenças e violência. Segundo Maria Lúcia, a mulher sempre foi considerada, em termos físicos, mais frágil que o homem. “Então, quando ela se vê diante de uma situação de violência sente pavor”, sustenta a psicóloga.

Maria Lúcia acredita que se a pesquisa fosse feita hoje o retrato seria outro. Na opinião dela, as pessoas estariam com mais medo da violência. Especialmente depois dos ataques atribuídos à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), que domina os presos de boa parte dos presídios paulistas. Há um ano, a violência ficou apenas em quinto lugar como o maior medo dos bauruenses. No Estado, ficou em segundo, sem contar as pessoas que disseram não ter medo de nada.

Os solteiros ouvidos pela pesquisa nem sequer lembraram da violência na hora de falar de seus medos. O maior temor para 25% dos entrevistados solteiros é a morte, seguida da doença (11%) e de perder alguém que gosta (10%).

Por faixa etária, a pesquisa aponta que com o passar do tempo as pessoas ficam menos preocupadas com a morte. Ela assusta mais quem tem entre 16 e 34 anos. A partir dessa idade até 59 anos, o maior medo é com a situação financeira. Essa preocupação aumenta ainda mais entre os idosos (acima de 60 anos).

Para Maria Lúcia, nessa idade as pessoas estão mais preocupadas com a saúde e em como garantir uma independência financeira em relação à família. “Há aqueles que sofrem por depender dos filhos”, diz ela.

Segundo Suzana, o medo é o sentimento mais perturbador que o ser humano tem. De acordo com ela, quando uma pessoa se depara com uma situação ameaçadora, como a morte, é normal se sentir amedrontada.

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A pesquisa

A pesquisa sobre o maior medo dos paulistas foi feita entre junho e julho de 2005. Foram entrevistadas 1.495 pessoas no Interior do Estado. Além de Bauru e região, fizeram parte da amostragem São José do Rio Preto, Sorocaba, Campinas, Ribeirão Preto, São Carlos e suas respectivas regiões. Ficaram de fora as cidades do Litoral e a Capital.

De acordo com as empresas Sampling Pesquisa de Mercado e a Limite Consultoria, a pesquisa faz parte de um projeto maior chamado “Painel de Consumo e Marcas”, que procura traçar o perfil de consumo no Estado de São Paulo. Os resultados servem para orientar campanhas de marketing de grandes empresas, segundo informou Sérgio Augusto Rodrigues, um dos estatísticos responsáveis pela pesquisa.

A constatação de que o sonho de consumo do bauruense é um carro, como mostrou matéria do JC publicada na edição do último dia 24, também surgiu de uma pesquisa feita pelas duas empresas. “O objetivo é conhecer o que se passa na cabeça dos paulistas”, disse Rodrigues.

O projeto teve início em 2004. Naquele ano, as pesquisas quiseram saber o que traz mais felicidade às pessoas, os hábitos de consumo, de lazer e o estilo musical preferido. Em 2005, a intenção era saber qual o sonho de consumo e qual o maior medo dos entrevistados.

Segundo Rodrigues, todas as cidades com mais de 200 mil habitantes foram consultadas, além de outras menores.

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