A sensação de que a morte é apenas uma questão de minutos ou segundos leva o indivíduo a uma reflexão relâmpago sobre sua existência na Terra.
Se a vida que ele levou não teve muito sentido ou se foi gasta com corrupção e maldade, a morte é recebida com um forte sentimento de angústia.
Essa teoria foi sustentada por pensadores existencialistas, como o alemão Martin Heidegger. “Não é uma dor física, mas existencial”, explica o filósofo Fausi dos Santos, professor da Universidade do Sagrado Coração (USC).
Segundo ele, essa pode ser uma das explicações para a forte presença de igrejas evangélicas, principalmente dentro dos presídios. Ao se deparar com a possibilidade iminente da morte, os presos buscam na religião sua redenção.
“O tipo de vida determina o sentimento diante da morte. As pessoas sofrem pelo perdão não concedido”, sustenta o filósofo.
Segundo ele, é comum as pessoas falarem sobre a morte, mas quase nunca o assunto é visto como um momento de reflexão. “Refletir sobre a morte, pensar no que estou fazendo da minha vida, onde estou colocando meus projetos, é muito importante, porque pode acabar tudo a qualquer momento”, justifica Fausi.