Ela nunca ouviu falar em bullying, termo usado para denominar atitudes agressivas intencionais e repetidas, adotadas por um ou mais estudantes contra outro. Mas uma estudante de apenas 14 anos foi vítima do fenômeno, cada vez mais freqüente no Brasil.
Quando se sentia humilhada em sala de aula, chegava em casa aos prantos. Mas o conflito com colegas de escola evoluiu. A garota também foi transferida de instituição, após sofrer ameaças. “No dia em que elas iriam bater em mim, eu faltei. Pegaram outra. Elas têm inveja. Falam que a gente compra roupa no brechó, mas nos vestimos melhor”, conta.
Com visual impecável, conta que foi vítima de desentendimentos porque não concorda com fofocas. A mãe dela e de outra colega na mesma situação apostam na inveja como responsável pelo problema. “Dizem que até mata, né? Beleza é bom, mas dá dor de cabeça”, comenta uma das genitoras. As duas mães classificam as filhas como tímidas. Por causa da característica, acreditam que muita gente as consideram metidas.
“Essas mães (tanto das garotas que apanham quanto das que batem) trabalham fora e têm condição de garantir uma vida confortável às filhas. Também são muito participativas na escola. Já as meninas, na sala de aula não dão problema. São, no máximo, temperamentais. O problema é que existe muita disputa”, diz a diretora da escola, que também terá o nome preservado para evitar que as alunas sejam identificadas.
Ela tem notícias de casos de bullying e brigas também em escolas particulares. Algumas instituições privadas, numa iniciativa de prevenção, já discutem o assunto com pais e alunos.
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Bullying
Executado dentro de uma relação desigual de poder, o bullying causa dor e angústia à vítima. Conforme o JC já divulgou, um estudo foi realizado em 2002 para diagnosticar o comportamento de crianças e adolescentes no ambiente escolar. A pesquisa reuniu mais de 5.800 alunos, de quinta a oitava séries de 11 escolas do Rio de Janeiro.
Nas entrevistas, 40,5% desses estudantes admitiram ter se envolvido em situações de bullying naquele ano, sendo 16,9% alvos, 10,9% alvos/autores e 12,7% autores de bullying. Embora o fenômeno não seja novo, os pais precisam estar atentos. Caso suspeitem que o filho tornou-se vítima, devem tentar conversar com ele sobre o assunto.
Se a suspeita for confirmada, os adultos devem procurar o professor ou a direção da escola para ajudar na solução do problema, informa a Associação Brasileira de Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia).
De acordo com a entidade, os pais também não devem culpá-lo pelo que está acontecendo. Já quando o estudante é autor, os pais devem saber que seus filhos estão precisando de ajuda. O assunto deve ser tratado sem agressividade para que possam entender que a violência sempre pode ser evitada.
Com o consentimento do adolescente, os pais também devem entrar em contato com a escola, conversar com professores, funcionários e amigos que possam ajudá-lo a compreender a situação. Também devem tentar descobrir alguma coisa positiva em que ele se destaque e que venha a melhorar sua auto-estima.
• Serviço
Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail marcelo.santos@usc.br ou pelo site www.bullying.com.br