Bairros

Estrume sem cheiro moído rende R$ 4.000,00

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Quem ainda não teve de comprar esterco moído para plantas ou minhocas para iscas certamente nem imagina onde encontrar esses produtos em Bauru. Mas eles existem e, por sinal, são bastante procurados.

Maurimar Pinheiro, de 45 anos, e a esposa, Elaine Martins Pinheiro, vendem minhocas aos litros. Eles criam os pequenos vermes em três tanques que mantêm em sua propriedade (denominada Coisas do Sítio) no Jardim Samburá, zona sudeste da cidade, próxima ao córrego da Água Comprida.

No começo, antes de mexer exclusivamente com minhocas, Pinheiro criava frangos caipiras. “Mas dava muito trabalho e a clientela era menos fiel”, conta. O negócio de iscas começou sem planejamento. “A gente ia no brejo e arrancava espécies da região, mas os pescadores que nos procuravam perguntavam por que a gente não trabalhava com a raça califórnia”, diz a esposa.

Foi quando o casal optou pela criação de minhocas em cativeiro, que são tratadas com estrume de vaca e vendidas a R$ 15,00 o litro, gerando, dessa forma, faturamento líquido de aproximadamente R$ 400,00. Se a criação de vermes é trabalhosa e rende pouco, a venda de esterco moído, por outro lado, é um negócio altamente lucrativo.

Roberto Vieira Mota tem 25 anos e vende estrume bovino moído há dez anos, junto com o pai, o borracheiro Mário Mota, de 60 anos. Eles também criam minhocas, mas o carro-chefe do negócio, atualmente, é esterco triturado sem cheiro.

Mota, que vive no Parque Vista Alegre, afirma ganhar cerca de R$ 4.000,00 livres todo mês com a venda do produto. Não, ele não inventou uma máquina que transforma excrementos de animais em dinheiro. Ele apenas negocia uma média de 450 sacos de dez quilos de esterco ao mês, pelo preço de R$ 10,00 a unidade.

“Como apanho o estrume de graça no sítio de um amigo, os custos são praticamente zero”, explica. Além da coleta dos resíduos animais, o trabalho de Mota resume-se a moer os dejetos depois de secos, para em seguida colocá-los em sacos e, por fim, entregá-los.

Entre seus clientes estão hospitais, hotéis e clubes da cidade. “Só aceito encomendas acima de cinco sacos, do contrário não compensa gastar o frete da entrega”, diz ele, que considera a venda de esterco um negócio pouco trabalhoso, por incrível que possa parecer.

“Como o esterco é moído depois de seco, não fica cheiro”, garante ele, que chegou a ser procurado pela Vigilância Sanitária, tempos atrás. “Mas eles perceberam que estrume não liberava odor algum, portanto permitiram que eu continuasse com meus negócios”, conclui.

• Serviço

Coisas do Sítio localiza-se na rua José Ângelo Toniato, 3-77, Jardim Samburá. O telefone para contato é (14) 3281-2436. O comércio de esterco moído de Roberto Vieira Mota é feito na rua Cônego Aníbal de Frância, 13-66, Parque Vista Alegre. O telefone é (14) 3018-1384.

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