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Terapia do Incor promete reduzir efeitos colaterais da quimioterapia

Por Daniela Ortega | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

A técnica ainda está sendo estudada, mas, se der tudo certo, será uma boa nova para pacientes com câncer tratados com quimioterapia. Isso porque o método consiste em fazer com que as drogas do tratamento não atinjam intensamente células saudáveis do organismo, reduzindo efeitos colaterais como náuseas, queda de cabelo e anemia.

Desenvolvido pelo endocrinologista Raul Maranhão, do Instituto do Coração de São Paulo, do Hospital das Clínicas (Incor), o tratamento consiste em associar proteínas às drogas quimioterápicas, fazendo com que o medicamento vá direto às células doentes.

O responsável pela inovação é um complexo protéico chamado LDE-quimioterápico. Ele tem a mesma estrutura da proteína LDL, que é atraída pelas células. Como as células cancerígenas tem 100 vezes mais partículas de atração em relação às sadias, o complexo faria com que uma quantia menor das drogas atacasse as partes saudáveis do corpo.

O problema é que o estudo ainda pode levar alguns anos para ser concluído. Até lá, a quimioterapia tradicional ainda é essencial. Para o oncologista Marcelo Calil, do hospital Beneficência Portuguesa de Santo André, o tratamento não deve ser tratado como um “bicho-de-sete-cabeças’’. “Hoje, há muitos medicamentos que atenuam os efeitos colaterais.’’

Segundo o médico, é falsa a idéia de que o tratamento deixa a pessoa mal. “O objetivo, além de tratar o câncer, é melhorar a qualidade de vida do paciente, evitar que ele se sinta mal e até diminuir as doses de morfina que ele usa, se for o caso’’, afirma.

Francisco Marziona, oncologista do Hospital Santa Paula e do Instituto Paulista de Cancerologia, diz que o maior problema da quimioterapia é mesmo sua ação não ser concentrada. “Infelizmente, ela não age só sobre o câncer, e é isso o que causa os efeitos colaterais como náuseas, queda de cabelo e anemia.’’ Essas são conseqüências do tratamento porque as células gastrointestinais e do couro cabeludo atraem mais as drogas quimioterápicas porque se modificam rapidamente.”

Segundo Calil, a quimioterapia tem dois objetivos principais: o primeiro é evitar que a doença volte. Feita após uma cirurgia, visa atacar as possíveis células afetadas que não são detectadas por exames. O segundo é tratar o paciente com metástase (contaminação de outros órgãos pela doença). “Mas ela não é usada em todos os casos, e a primeira forma de tratamento ainda é a cirurgia.’’

Mesmo com medicamentos que reduzem os efeitos colaterais, a quimioterapia ainda representa uma dose de sofrimento a muitos pacientes. Com osteosarcoma (câncer nos ossos), Paulo Júnior, 19 anos, diz que a parte boa do tratamento era a esperança de se curar. “A parte difícil são os problemas que ele causa.’’

Ele fez tratamento por mais de um ano, mas a metástase da doença atingiu os pulmões e o braço. “Hoje estou em uma cadeira de rodas, sem uma perna e sem o movimento do braço, mas isso não me deixa triste, pois o que importa é que estou vivo e feliz, com forças para superar qualquer desafio’’, afirma Paulo.

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