Mulher

Proximidade dificulta escolha


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Em se tratando de duplo amor, outra combinação afetiva é o amor platônico. Segundo o psicólogo Sandro Caramaschi, esse tipo de relação ocorre freqüentemente quando a pessoa se envolve ou decide se aprofundar em algum tipo de relacionamento. Neste caso, ela avalia as vantagens e desvantagens no relacionamento com os parceiros. “Este processo vai amadurecendo ao longo do tempo e a angústia será maior se os parceiros forem muito equivalentes”, acrescenta.

Quanto maior a proximidade, maior a dificuldade em se decidir entre um e outro, ressalta o psicólogo, que é professor do departamento de psicologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp). E eventualmente nesta fase de definição, observa, a pessoa pode estar amando ou se relacionando com duas pessoas.

A publicitária Giovana*, 40 anos, está vivendo situação de amor duplo semelhante à apontada por Caramaschi. Ela tem um companheiro fixo há aproximadamente seis meses, mas se apaixonou por outro recentemente, o qual também corresponde ao seu sentimento.

Atualmente, seu coração está “balançado” e ela ainda não conseguiu se decidir com quem quer ficar. Por isto, diz ela, durante este período, as dúvidas e comparações entre os dois amores são inevitáveis. “O primeiro é mais novo do que eu, carinhoso, apaixonado e telefona sempre, mas fica enciumado quando saímos com amigos e alguém se aproxima de mim. E eu me sinto atraída pelo segundo, que não me liga muitas vezes, mas é um pouco mais velho, maduro, e pode dar mais estabilidade”, conta Giovana.

Assim como outras mulheres, Giovana prioriza seu bem-estar emocional em um relacionamento amoroso e cita como exemplo a situação que viveu com seu ex-marido. “A mulher adora flores, carinho, gentilezas como puxar a cadeira e abrir a porta do carro. Se o companheiro é seco e rude, ela fica mais carente e, quando aparece outra pessoa que eleve sua auto-estima, se sente mais valorizada. Meu marido, por exemplo, garantia todo o ‘suporte material’: carro, casa e dinheiro, mas não me dava o fundamental, que é o carinho e a atenção. E, devido a esta carência, me apaixonei por outro, mas foi um amor platônico.”

Tanto em relação ao seu ex-marido quanto em sua situação atual, Giovana revela que vivenciar um duplo amor implica em sofrimento. “O tempo vai passando e tenho que tomar uma decisão, mas ainda não sei qual. Fico balançada e não quero magoar nenhum dos dois”, diz.

Segundo Caramaschi, sentimentos como os de Giovana são comuns, mas podem ocorrer outras inúmeras reações em amores duplos. Desde pessoas que sofrem bastante por conta de exigências relativas a si própria ou à sociedade até indivíduos que encaram esta situação como algo normal e não se incomodam muito com isto, aponta.

Carolina*, 22 anos, já passou por situação de duplo amor e sua experiência se assemelha com o segundo exemplo. “Precisamos de paixão para nos estimular e seguir a vida. Eu tive um relacionamento em que amava muito a pessoa, era um sentimento diferente da paixão, que é arrebatadora.” Mas, segundo ela, o fato de estar amando alguém não impede de viver uma outra paixão. “No amor, me sinto ‘anestesiada’. Já a paixão está ligada à atração, ao prazer e a uma necessidade momentânea de ter alguém”, observa.

* Nomes preservados a pedido dos entrevistados

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