Rio - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, voltou a defender ontem a implementação de uma reforma política ao afirmar que a política “precisa voltar a ser séria no País”. Em encontro com 52 prefeitos do Estado do Rio de Janeiro, o petista afirmou que encaminharia um projeto de reforma para ser votado no Congresso e que a questão do financiamento de campanha é um dos pontos que precisa ser mudado.
“Nós precisamos fazer com que a política volte a ser séria neste País. Precisamos acabar com um pouco de hipocrisia que existe na política, fortalecer e melhorar a participação dos partidos políticos, dar visibilidade às campanhas. Não tem nada mais vergonhoso do que o candidato ter que pedir dinheiro para empresário para ser candidato. É melhor que tivesse um fundo público”, disse Lula.
Durante seu discurso, o presidente criticou a governadora do Rio, Rosinha Garotinho (PMDB). Sem citá-la nominalmente, ele disse que o Estado poderia ter até um milhão de famílias assistidas pelo programa Bolsa-Família, em vez dos 422 mil que recebem os benefícios do programa, não fosse a “má-fé política”. “No Rio de Janeiro, a gente não conseguiu avançar porque imaginava-se que se colocasse mais gente (cadastrada no programa) o candidato Lula poderia ser mais forte, o que é uma bobagem imensa”, afirmou o petista.
Lula afirmou que a campanha entra agora na reta final e pediu que os prefeitos saiam às ruas em busca de votos. O presidente ainda visitou ontem jovens e artistas na Cidade de Deus, zona oeste do Rio.
Direito de resposta
A coligação que representa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, entrou com pedido de direito de resposta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a coligação da senadora Heloísa Helena (PSOL). Os petistas reclamam de suposta ofensa da candidata no programa eleitoral obrigatório da última quinta-feira.
Conforme a ação da coligação de Lula no TSE, a candidata Heloísa Helena “ultrapassou os limites da legalidade, por meio de ofensas, injurias, difamações e calúnias” ao candidato à reeleição. Em contrapartida, a coligação de Lula solicita direito de resposta no horário eleitoral da candidata do PSOL, no programa noturno, pelo tempo igual ao utilizado na ofensa, ou seja, 1 minuto e 2 segundos.
Segundo o TSE, esse é o primeiro pedido de direito de resposta de candidato à Presidência da República contra outro candidato a presidente a chegar no tribunal desde o início do horário eleitoral obrigatório, no último dia 15 de agosto. No programa de Heloísa Helena, a candidata diz que “deve ser mentira o resultado das pesquisas eleitorais que apontam para a vitória do banditismo político”.
Heloísa Helena afirma ainda que a situação, num eventual segundo turno, seria diferente. “No segundo turno, é diferente: tempo igual no horário eleitoral, o Lula vai descer do seu trono de arrogância e ir aos debates para ser desmascarado”, completa. Segundo os advogados da coligação do presidente Lula, “o espírito é coibir para que a propaganda não descambe para a chamada ‘baixaria’, bem como para que os seus parâmetros fiquem no campo das propostas, projetos ou programas de Governo”.
A coligação pede a concessão de liminar, sem ouvir a outra parte, para que seja impedida a reapresentação da propaganda eleitoral sob questionamento no horário gratuito destinado à coligação da candidatura de Heloísa Helena, seja ela em bloco ou em inserções.