Ser jovem não é mais um diferencial determinante para se manter empregado. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) revelam que 30% dos profissionais que pediram o seguro-desemprego em Bauru, entre julho de 2005 e junho deste ano, têm entre 18 e 24 anos. Isto quer dizer que das 13.154 requisições registradas na Caixa Econômica Federal (CEF) no período, 3.825 foram feitas por jovens dessa faixa etária, de ambos os sexos.
Levando em conta somente o levantamento dividido por sexo, os homens de 30 a 39 anos somam a maior parte no lote de beneficiados com o seguro entre os meses apontados. São 2.708 de um total de 9.507. Os segurados do sexo masculino com idade entre 18 e 24 anos aparecem em segundo lugar, com 2.556 pedidos.
Essa mesma faixa etária é maioria entre as mulheres. Das 5.359 que solicitaram o benefício, 1.751 estão nessas idades.
“Essa realidade é reflexo da falta de oferta no mercado de trabalho e da deficiência na formação técnica do jovem. A qualificação dessas pessoas é insuficiente, por isso, não conseguem ou demoram a se recolocar”, observa o diretor regional da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (Sert) da região de Bauru, Alexandre Bertoni.
O grau de desqualificação dessas pessoas é tão alto que, segundo informações da Sert, menos de 40% dos candidatos são aproveitados nas oportunidades de trabalho registradas na secretaria.
Deficiências na fala e na escrita, baixo conhecimento em informática, falta de postura, de noções de cidadania e até de educação fazem parte da lista de deficiências que o diretor da Sert aponta como causas do despreparo dos jovens profissionais que, no momento, estão vivendo do seguro-desemprego do governo. “São requisitos básicos para conseguir trabalho em qualquer área profissional, inclusive nas que são comuns em Bauru, como comércio, prestação de serviços, construção civil e indústria de transformação. Muita gente não sabe escrever corretamente, falar direito, se vestir adequadamente”, diz Bertoni.
Tendência mundial
Para a economista e professora da Instituição Toledo de Ensino (ITE) Salete Lara, a realidade do desempregado de Bauru é reflexo de uma tendência mundial. Apesar da preocupação dos governos com o controle da natalidade, ela lembra que a densidade demográfica nos países subdesenvolvidos - como é o caso das nações localizadas na América do Sul - têm aumentado muito.
“Isso significa que essas pessoas que nasceram, chegaram agora ao mercado de trabalho. Mas o crescimento de mão-de-obra está sendo inferior à oferta de emprego. Automaticamente, as empresas contratam sob a forma de estágio ou trainee. Como esses programas duram pouco tempo, elas perdem o serviço e partem para o seguro-desemprego.”
O operador de máquina Alan Rodrigues Silva, 24 anos, está sentindo na pele as dificuldades de se recolocar no mercado de trabalho. Ele perdeu o emprego há 20 dias e, apesar das qualificações profissionais que soma no currículo, ainda não obteve sucesso.
“A concorrência está muito grande. O que me falta é um curso de nível superior. Acho que um título como esse seria muito importante e até decisivo nessa situação que estou vivendo.” Silva, que tinha dois anos de casa, fará o pedido de seguro-desemprego hoje e também pretende resgatar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
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Rendimento
Cerca de 38% das 13.154 pessoas que pediram o seguro-desemprego em Bauru entre julho de 2005 e junho deste ano, ganhavam entre um e meio e dois salários mínimos, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Para a economista Salete Lara, o baixo rendimento dos trabalhadores, hoje desempregados, corresponde a uma tendência natural do mercado. “Quando vamos comprar laranja e há excesso do produto no mercado, pagamos um preço baixo. Se temos muita gente vendendo mão-de-obra, a empresa que compra também vai pagar pouco. O trabalhador é mal remunerado por conta do excesso de mão-de-obra. Não deveria ser assim, mas vivemos num mundo capitalista”, observa Lara.