Anápolis - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o tenente-coronel Marcos Pontes, primeiro astronauta brasileiro, nem se cumprimentaram diante de fotógrafos e cinegrafistas ontem durante a cerimônia de apresentação de dois caças Mirage usados, recém-adquiridos da França, na Base Aérea de Anápolis (GO).
O presidente entrou na cabine do avião, mas não voou - repetindo gesto de Fernando Henrique Cardoso com um ALX Supertucano, em 1999.
Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e Fernando Collor de Mello não só entraram, mas também voaram em aviões militares. Em 1953, Vargas passeou no subsônico Gloster Meteor da Força Aérea Brasileira (FAB). Em 1957, JK não gostou de voar num supersônico (um TF-100 da Força Aérea dos EUA), no Rio: “Não aconselho vocês a voarem. É uma sensação terrível. Parece que estamos esmagados, triturados”.
Em 1990, Collor viajou de Brasília para o Rio num F5-B da FAB. Não reclamou do vôo, mas depois tomou uma aspirina. Pontes Garoto-propaganda do governo até meses atrás (Lula chegou a conversar com ele durante a missão na Estação Espacial Internacional), Pontes foi mantido numa fileira secundária de autoridades nem foi citado por Lula em seu discurso, que mencionou uma a uma as autoridades presentes, incluindo os prefeitos.
Os dois deixaram o palanque por lados opostos. Primeiro astronauta brasileiro, Pontes decidiu ir para a reserva da Aeronáutica ao retornar de sua missão espacial, em abril.
A decisão desagradou setores do governo. Usados, os dois Mirage-2000C apresentados anteontem fazem parte de um pacote de 12 aeronaves adquiridas da França pela FAB por 80 milhões de euros (cerca de R$ 300 milhões). Eles serão aproveitados no desfile de Sete de Setembro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.