Após 13 anos de vida mambembe na trupe da MTV - em que passou por mais de 20 programas e foi de repórter a apresentador de programa de auditório -, Edgard Piccoli, 41 anos, busca outros picadeiros. O resultado ele apresenta hoje, às 21h15, quando sobe a lona do “Circo do Edgard”, no Multishow. Ele conta que a possibilidade de comandar uma atração em que não tivesse que dominar integralmente os assuntos abordados pesou na decisão de sair do canal.
“Fiquei feliz com o fato de deixar o patrulhamento musical de lado. (Na MTV), sentia pressão para não errar. Às vezes, trocava o nome de uma música, e os fãs reclamavam. Agora, estou livre para não saber, fazer perguntas óbvias, primárias”, diz Piccoli.
É na condição de aprendiz que ele vai se arriscar na comédia, dublando “comentários” dos durões Charles Bronson, Sylvester Stallone e Clint Eastwood a respeito de um clipe da banda mineira Pato Fu. “Não sou humorista, não tenho talento para isso”, avalia o apresentador. No picadeiro, os “números” de humor se alternarão a bate-papos com personalidades de diversos meios e “pílulas” de comportamento.
Os apresentadores David Letterman e Ed Sullivan são referências, mas a inspiração inicial foi o filme-concerto “Rock’n Roll Circus” (1968), em que os Rolling Stones dividiam o palco com John Lennon e The Who, entre outros. Haverá então um viés passadista no circo? “Não tenho a pretensão de ser inovador. Vou usar minhas influências e gostos.”
A “embalagem” adolescente da MTV incomodava Piccoli há algum tempo. “Todas as coisas que a gente fazia, principalmente no jornalismo, tinham que ter um atrativo que não a informação. As situações eram pautadas para que houvesse gancho para os jovens. Sempre tinha que ter um ‘pulo do gato’ para prender a audiência.”
O adolescente que representava seu espectador-padrão na MTV será então preterido no picadeiro do Multishow? “Não. Posso me comunicar com o jovem sem que, para isso, precise me transfigurar de jovem.”