O bancário Osmar Pereira Brito (PCO) não acredita que se possa trabalhar pelo desenvolvimento de Bauru sem que esta ação esteja ligada ao restante do País. De acordo com Brito, o município não pode ficar isolado, tentando resolver apenas seus problemas, sem se preocupar com o cenário nacional. Por isso ele defende que o trabalho na Câmara dos Deputados seja de acordo com os princípios do partido, mas pensando em termos gerais e não apenas regionais. “Bauru não pode ser considerada como uma ilha, isolada do contexto nacional. A evolução e o desenvolvimento de Bauru precisam estar amarrados a esse contexto.”, afirmou.
Segundo Brito, as candidaturas do PCO vão atuar de forma intransigente na defesa da construção de um governo operário e camponês, porque todas as possibilidades de alavancar o desenvolvimento do município são através de verbas estaduais e federais. “Nós colocamos assim: qualquer economia tem que se desenvolver na esteira da industrialização. Bauru não pode ficar fora desse contexto”, destacou.
Ele aponta que existem três estruturas políticas para organizar o Estado, que influem diretamente na organização dos municípios: o governo burguês, o governo de frente popular e o governo operário e camponês. “Dessas formas de se organizar o Estado, o governo burguês e o governo de frente popular, como o do Lula, que foi desastroso para a classe trabalhadora, não conseguem nenhuma proeza para a classe trabalhadora, por isso defendemos a formação de um governo operário e camponês”, frisou.
Estatização
Entre os principais aspectos que devem ser usados para ajudar no desenvolvimento dos municípios, Brito destaca a estatização de todo o sistema financeiro e das empresas que foram privatizadas. “Defendemos a estatização do sistema financeiro. Não dá para bancar um sistema financeiro parasitário, na mão dos banqueiros. Defendemos a estatização de todas empresas de grande porte nas áreas de siderurgia, eletricidade e transportes”, disse.
Tendo como pano de fundo a estatização do sistema financeiro, Brito afirma que o PCO também prega o não pagamento da dívida interna e a extinção do Banco Central. “O Banco Central é um consórcio de banqueiros. Se você estatiza o sistema financeiro, você não terá mais esse seguimento sanguessuga da sociedade para sugar o sistema financeiro, mas terá toda a conversão para investir no financiamento de projetos para toda a classe operária e toda a classe camponesa”, frisou.
Atuação política
Apesar da pouca estrutura para fazer campanha e da falta de recursos, Brito afirma que espera ter uma votação expressiva, se não para se eleger, ao menos para ajudar o partido a superar a cláusula de barreira. Brito foi candidato a vereador em 1996 e obteve 61 votos. Em 2004 era candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada por Maria Cristina Romão da Silva (PCO), que ficou em último lugar na eleição, com 125 votos.
Para o candidato, a baixa votação do partido na eleição de 2004 não quer dizer que o PCO não possa crescer nas eleições de outubro. Para isso, Brito destacou que conta com o trabalho fora do partido, em sindicatos, entidades, movimento estudantil e movimentos populares. “O PCO de hoje é diferente. Está organicamente mais avançado e coeso do que há dois anos atrás”, disse.
Segundo ele, a disputa de voto é importante, mas não pode ser considerada a única forma de fazer política. O candidato defende que a classe trabalhadora deixe de ser passiva, no que se refere à política, e tenha um papel mais atuante no cenário político. “Você vai para as eleições para convencer a classe trabalhadora e em cima dessa necessidade da classe trabalhadora passa a ser agente permanente da política. O voto é um meio dela se organizar, galgar degraus no Estado e ser o gerenciador do Estado de fato”, salientou.
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Golpe
Para Osmar Brito, o fato dos candidatos a deputado pelo PCO não aparecerem na TV, no horário eleitoral, não atrapalha o desempenho da legenda. De acordo com ele, era necessário fazer a campanha para que o partido consiga manter a candidatura a presidente de Rui Costa Pimenta, cujo registro foi negado porque Pimenta não prestou contas da campanha à presidência de 2002.
Entretanto, Brito alega que o candidato Rui Pimenta prestou contas de sua campanha presidencial de 2002 e que o indeferimento do registro da candidatura faz parte de um grande golpe para reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno. “A necessidade imediata era reverter esse golpe do TSE, por isso nós colocamos como prioridade a utilização do espaço para a reversão deste golpe”, disse.
Brito afirma que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é apenas o agente realizador deste “grande golpe” para impedir que Rui Pimenta seja candidato e leve a eleição para o segundo turno. “É um golpe, uma tentativa de fazer com que o Lula seja eleito no primeiro turno. O PCO, em quase todas as pesquisas aparece com 1% do eleitorado, o que dá 1,2 milhão de todo o país e essa tentativa não é isolada do TSE, mas do governo Lula, para isolar qualquer perspectiva para a classe trabalhadora”, frisou.