Política

Ex-ministro da Educação Paulo Renato defende voto distrital puro

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 2 min

O ex-ministro da Educação Paulo Renato de Souza (PSDB), candidato a deputado federal, surpreendeu e defendeu, em Bauru, o voto distrital puro, como o melhor sistema de eleição para deputados estaduais e federais. A declaração causa surpresa porque a maioria dos membros do PSDB defende o voto distrital misto.

No sistema do distrital misto, o Legislativo é composto metade por eleitos por votação majoritária obtida em distritos eleitorais (que seriam criados por lei) e a outra metade por candidatos “gerais”, que recebem votação em todo o território do Estado, inclusive do próprio distrito. No sistema de voto distrital puro, o Legislativo é composto apenas por representantes eleitos nos distritos, sem o sistema proporcional.

Segundo Paulo Renato, o voto proporcional é “nefasto”, porque não há debate político. “Eu não me confronto com meus adversários políticos. Eu não debato com candidatos de outros partidos e tenho que procurar votos com simpatizantes do PSDB. Então eu dependo de ter mais votos que meus companheiros de partido, o que é absurdo”, disse.

Além desses aspectos, o ex-ministro ressalta que a campanha nos moldes atuais é muito cara, já que o candidato precisa se deslocar pelo Estado para conseguir se eleger, ao contrário do voto distrital, que limita a eleição a determinada região. “Acho que nós devemos passar por uma reforma política profunda. Seria uma mudança muito radical, mas iria melhorar muito”, frisou.

Como exemplo, Paulo Renato citou os candidatos que foram acusados de corrupção e renunciaram ao mandato para não serem cassados. Para o ex-ministro, se o voto fosse distrital, haveria outro candidato que iria se contrapor ao acusado de corrupção. “Se estabeleceria um debate político importante, o que não ocorre hoje”, salientou.

Ele destaca também que o voto distrital, ao contrário do que afirmam alguns, não limitaria as ações dos deputados a suas respectivas regiões. “A maioria dos deputados tem votos regionais. Se trata, portanto, de organizar um pouco mais um sistema que, na verdade, já existe hoje”, ressaltou.

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