Covers de Deep Purple, Kiss, Black Sabbath, Led Zeppeling e AC/DC celebram, depois de três meses, a volta da guitarrista Manu ao corpo da Inlakesh, novamente uma banda de meninas. O show está marcado para às 23h desta noite no Armazén Bar, com Lívia (bateria), Beta (baixo) e Daísa (vocal).
A experiência de rodar pela Europa com um violão na mão e pouco dinheiro no bolso foi o que levou Manu a se ausentar dos palcos por três meses. “Há uns quatro anos, fiz uma viagem semelhante pelo Brasil e quis fazer o mesmo pela Europa. Lá, conheci oito países com o dinheiro que ganhava tocando nas calçadas. Mas o cenário não é o mesmo de 20 anos atrás. Quando a polícia me via, eu tinha que sair”, recorda a guitarrista.
Durante sua temporada fora do País, o músico Marcos Lambert, da banda Vandróia, de Bariri, assumiu a guitarra da Inlakesh e contribuiu com um repertório mais pesado, com covers de Ozzy Osbourne e Black Sabbath. “Ele (Marcos) é mais metal, então não ia dar para deixar um cabeludo bonito daquele jeito tocando as músicas do nosso set!”, brinca a baixista Beta.
O período de ausência da guitarrista também coincidiu com outra perda: a saída da tecladista Lu. “Ela é advogada e surgiu uma oportunidade de trabalhar em São Paulo”, lamenta Beta. Para driblar a falta de teclado, o repertório da Inlakesh mudou e agora está mais rock’n’roll do que nunca. “Eliminamos umas oito músicas e acrescentamos outras que não pedem o teclado”, diz Manu. “O público pode esperar por muito rock”, complementa Beta.
Com a volta de Manu há 15 dias, a Inlakesh retomou os ensaios e fez uma pré-estréia em palco paulistano. “Fizemos um show num bar de rock do bairro de Moema, em São Paulo, no último sábado. Foi muito legal voltar a tocar com as garotas”, diz a guitarrista.
Primeiro disco
Depois de alguns meses tumultuados com a saída da tecladista e a ausência temporária da guitarrista, a Inlakesh agora se prepara para um novo desafio: gravar o primeiro CD. A previsão é para novembro na gravadora independente Sun Trip, de São Paulo. “Nós estamos em concentração e, nos ensaios, têm rolado vários brainstorms. Vamos entrar de cara no cenário independente”, adianta Beta.
O álbum deve conter 11 composições próprias e em português. “Até agora temos duas músicas prontas. O mais difícil são as letras, porque queremos fazer algo diferente, com músicas que não sejam bestas nem tão cabeças”, diz a baixista.
Com composições que abordam o cotidiano das garotas sobre um legítimo rock’n’roll, Beta define o novo CD como algo inédito. “Será algo parecido com nada (risos). Uma mistura de Led Zeppeling e AC/DC, com o vocal feminino que dá o tom de suavidade”.
Formada em meados de 2004, a Inlakesh surgiu a partir de uma idéia da sócia do Armazén Bar, Valéria De Carvalho Costa. “Cada uma tocava numa banda diferente e daí a Valéria sugeriu de todas se unirem e criar uma banda de rock feminina”, lembra Manu, que acrescenta. “As pessoas ficam curiosas ao ver garotas tocando rock e nós nos cobramos para fazer algo bem feito”.
Para batizar o grupo, Inlakesh, que, em maia, significa “eu sou o outro você”. Alguma semelhança entre a civilização maia e o rock’n’roll?. “Não. A energia do nome está na banda. Se você não cultivar esse espírito de igualdade, não rola uma vibração positiva no grupo”, responde Manu.
• Serviço
Inlakesh se apresenta hoje, a partir das 23h, no Armazén Bar (rua Quintino Bocaiúva, 2-20). Mais informações: (14) 3226-2016.