Internacional

EUA minimizam Bin Laden e focam ameaça de Irã e Síria

Por Sérgio Dávila | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Washington - O novo relatório da Casa Branca sobre a situação do combate ao terrorismo, um estudo divulgado por membros do Partido Democrata (oposição) e um discurso feito à tarde pelo presidente George W. Bush elevaram a temperatura do debate político nos EUA às vésperas do quinto aniversário dos ataques do 11 de Setembro e a poucas semanas das eleições legislativas que renovam parte do Congresso.

“Bin Laden e seus aliados terroristas deixaram suas intenções tão claras quanto as de Lênin e Hitler antes dele”, disse Bush, na Associação dos Oficiais Militares da América, em Alexandria, cidade vizinha de Washington, diante de soldados e diplomatas de países que sofreram ataques terroristas. “A questão é: Vamos ouvir? Nós vamos dar atenção ao que esses homens malignos dizem?”

Seu discurso reforçou o relatório de 23 páginas divulgado de manhã pela Casa Branca, que revisa e atualiza a estratégia da administração na chamada “guerra ao terror”.

Segundo a “Estratégia Nacional para Combater o Terror”, feita pela primeira vez em 2003, os EUA “estão mais seguros mas ainda não totalmente seguros”. Os principais pontos do documento são a pulverização dos grupos terroristas, o enfraquecimento da Al-Qaeda e sua adaptação rápida à reação norte-americana e o crescente papel do Irã como “Estado patrocinador” de organizações extremistas.

De tom em geral positivo, o relatório faz certa autocrítica. “Embora o governo dos EUA e seus aliados tenham conseguido frustrar muitos ataques, não fomos capazes de evitar todos”, afirma o texto. “Os terroristas atacaram em muitos lugares no mundo, de Bali a Beslan e Bagdá.”

Analistas se dividiram quanto ao relatório. Houve quem enxergasse uma saudável auto-avaliação; houve, porém, quem detectasse o uso da mesma retórica do medo que de que a Casa Branca lançou mão nas últimas eleições presidenciais - com resultados positivos entre o eleitorado.

O documento oficial e as palavras de Bush foram atacados por estudo próprio divulgado logo em seguida pela oposição. Citando dados da organização Memorial Institute for the Prevention of Terrorism, apartidária e sem fins lucrativos, os democratas disseram que o número de membros da Al-Qaeda pulou de 20 mil para 50 mil nos últimos cinco anos e o número de ataques da insurgência iraquiana passou de 200 em 2004 para 600 em 2006 até agora.

“Tiranos”

Bush voltou a bater na tecla do “fascismo islâmico” e na comparação entre os que são contra a Guerra do Iraque, principal bandeira da oposição democrata nessas eleições, e os que foram complacentes ou condescendentes com o nazismo antes da Segunda Guerra.

Os dois motes vêm sido repetidos nos últimos dias pelo secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, e pelo vice-presidente, Dick Cheney. O presidente norte-americano citou cartas, depoimentos colocados na Internet, fitas de áudio e de vídeo divulgadas nos últimos meses por terroristas e documentos achados em esconderijos ao redor do mundo para dizer que, apesar de os EUA não terem sido atacados novamente desde 11 de setembro de 2001, o perigo terrorista continua forte.

O republicano fez ainda um de seus mais duros discursos contra o Irã, no momento em que um ex-presidente daquele país, Mohammad Khatami, visita os EUA.

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