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50 anos de Romi-Isetta

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Há exatos 50 anos e um dia, em 5 de setembro de 1956, era lançado no Brasil aquele que tem a honra - não oficial - de ser o primeiro veículo fabricado no País: o Romi-Isetta. Resultado de uma parceria entre as indústrias Romi, de origem brasileira e situada até hoje no município paulista de Santa Bárbara D´Oeste, e a italiana Isothermos (Iso), o exótico e minúsculo carrinho só “perde” a fama para o DKW que, mesmo tendo sido lançado dois meses após o Romi-Isetta, é considerado o “primeirão” da indústria nacional.

Isso se deve ao fato do Grupo Executivo da Indústria Automobilística (Geia), criado em agosto de 1956 pelo presidente Juscelino Kubitschek para desenvolver o setor, ter estipulado em um decreto, que instituía o Plano Nacional de Indústrias Automobilísticas, os critérios para a fabricação de automóveis no País. Entre eles, constava a obrigação de que o veículo transportasse no mínimo quatro e no máximo sete passageiros, incluindo o motorista, um requisito que o Romi-Isetta não atendia, pois dispunha apenas de dois lugares. Com isso, o DKW foi lançado já com autorização do Geia, o que o carrinho só conseguiu mais tarde.

O sonho da fabricação do primeiro carro nacional começou com a família Romi, que tinha à frente o comendador Américo Emilio Romi. Ele sempre manifestava interesse em fabricar um automóvel e a idéia foi ganhando corpo após Carlos Chiti, enteado de Romi, ver o Isetta em uma revista, que ressaltava o fato do veículo ser o carro mais barato do mundo e capaz de desenvolver o máximo em rendimento. E, depois de conferir o modelo de perto na Itália, Romi retornou ao Brasil querendo ser o pioneiro de sua produção.

Através de seu filho Giordano, Chiti iniciou os contatos na Itália com as indústrias Iso, detentora da patente do Isetta. Em 1954, conseguiu a licença para fabricar o carro no Brasil introduzindo melhoramentos devido às características do País, pois não existiam normas para fabricação de algumas peças, que tinham de ser feitas praticamente de forma artesanal. O plano inicial era fabricar 100 unidades em caráter experimental para conhecimento e aceitação do público consumidor para posteriormente difundir seus automóveis em todo o Brasil.

O Romi-Isetta foi lançado com motor de 200 cm³, importado da Itália, refrigerado a ar, que tornava o carrinho capaz de atingir velocidade máxima de 85 km/h e obter consumo de fantásticos 25 km/l. Os faróis da frente eram fixos nos pára-lamas - só em 1957, ano de adoção do motor de 236 cm³, eles passaram para cima dos pára-lamas, tornando-se independentes -, o pára-brisa era de acrílico e a ventilação interna ficava por conta de quebra-ventos laterais e capota de lona semelhante a um teto-solar.

Já em 1959, ano da morte do comendador, o carrinho ganhou outras alterações, como motor BMW alemão de 298 cm³, volante de três raios, painel com novo desenho e sinais de direção em novas posições, saindo de cima dos faróis para as laterais.

Entretanto, no final de 1960, decidiu-se pelo encerramento da produção do Romi-Isetta, que apesar de ter carisma popular, nunca empolgou nas vendas. Uma das principais razões para isso foi o seu preço que, sem incentivos fiscais, tornou-se muito alto diante de seus concorrentes, como o VW Sedan, o Willys Renault Dauphine e o DKW-Vemag Sedan. No total, foram produzidos, de 1956 até 1961 - ano em que alguns exemplares ainda foram montados com peças do ano anterior - pouco mais de 3.000 unidades do carrinho.

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