Graças à paixão de bauru-enses pelos automóveis antigos, a cidade tem a sorte de contar com exemplares de Romi-Isettas por perto. Um dos privilegiados é o empresário José Carlos Landro, dono de dois modelos, um de 1956 e outro de 1958, ambos originais que atualmente estão em processo de restauração.
“Os dois são originais e só estou reformando porque, quando os comprei, eles estavam praticamente destruídos e muito mal conservados. Dá um trabalhão danado, pois não é tão fácil encontrar os acessórios e equipamentos originais. A de 1956, por exemplo, faz uns quatro anos que está sendo restaurada”, conta Landro, cuja paixão pela Romi-Isetta começou cedo. “Tive uma em 1964 que fazia de tudo com ela. Viajava, ia para bailes e ainda levava mais duas pessoas se quisesse”, recorda.
O colecionador ressalta, ainda, que o modelo 1956 cinza e pérola do Romi-Isetta é a unidade número 73 fabricada. “A indústria Romi iniciou a série dando o número 15000 e a minha é a 15073. Ela fez parte da primeira leva produzida que foi para Salvador, mas comprei-a em Porto Alegre”, sustenta. Já na de 1958, atualmente na cor azul, Landro diz que tornará a pintá-la no tom amarelo original. “Dizem que ela é a que o Pelé ganhou em 1958, mas já me informei e não há registros que possam comprovar”, afirma Landro.
Outro admirador da Romi-Isetta é o médico José Carlos Tosi, proprietário de uma 1959 amarela - que ele também levanta a hipótese de ter sido de Pelé - e de uma réplica perfeita totalmente construída em sua minioficina particular de carros antigos. “A de 1959, que comprei há cerca de dez anos aqui em Bauru e o pessoal também fala que era a do Pelé, só não é original no motor e transmissão, que são de motos para dar melhor desempenho. Atualmente ela está desmontada para fazer alguns reparos, mas logo a montarei de novo”, ressalta Tosi.
Fã do carrinho, o colecionador é visto com freqüência circulando pelas ruas ao volante da Romi-Isetta. “Se o asfalto estiver bom e sem irregularidades, ela anda sem problemas. É uma graça de carro”, conclui.
Exposição
A exposição “Romi-Isetta 50 anos” foi aberta no último dia 29 e poderá ser visitada até o dia 10 de setembro, no Tivoli Shopping, em Santa Bárbara D´Oeste. Estarão expostos quatro Romi-Isettas e um chassi original, além de dados históricos e técnicos do primeiro veículo brasileiro. Os visitantes poderão apreciar também, uma reconstrução virtual do carro em 3D, desenvolvida pela Universidade Metodista de Piracicaba. O Tivoli Shopping fica na avenida Santa Bárbara, 777.
Você sabia que...
• O Isetta foi criado, em 1953, pela empresa italiana Isothermos, apelidada de Iso, que iniciou suas atividades nos anos 1930 fabricando refrigeradores?
• A maior receptividade do Isetta não foi na Itália? Na Alemanha, o modelo sobreviveu até 1962, com mais de 160.000 unidades fabricadas.
• O Isetta também foi feito na França, Espanha e Argentina e chegou a ser montado na Áustria com uma única roda traseira?
• O Isetta teve outras versões, como a caminhonete Isocarro e a versão para quatro passageiros, com mais uma porta lateral, o Isetta 600?
• Foi criado um clube do veículo no lançamento do Romi-Isetta no Brasil cujos proprietários realizavam corridas em Interlagos?
• O Romi-Isetta tem o apelido de “lambreta grávida”?
• Seu único acesso é pela porta frontal, que ao ser aberta desloca junto ao volante. Exótico, o sistema possibilita estacionar de frente nas vagas, ocupando o espaço de meio carro, enquanto os passageiros descem direto na calçada.