Tribuna do Leitor

Refugiados do Líbano


| Tempo de leitura: 2 min

Líbano, “urgente”: convém às autoridades democráticas alertar a embaixada brasileira no Líbano para que se algum refugiado arriscar-se a morar, ou provisoriamente, em Bauru, que venha acompanhado de um bom psicólogo. Porque ao sobrevoar a cidade na sua chegada terá a impressão de estar numa verdadeira zona de guerra: ruas de chão batido; viaduto faltando pedaço; crateras em todas as ruas; a avenida principal, onde se localiza a Câmara dos Vereadores, mais parece rota de tanques de guerra, deixando marcas de suas lagartas; queimada de cana por todos os lados da cidade; fábricas fechadas em ruínas, um verdadeiro horror.

Começa aí a audácia do psicólogo, pois terá de convencer o asilado de que aqui a terra é frágil, de que o asfalto é ruim mesmo, bastando uma chuva mais forte, leva até a rua embora. O coitado terá poucas chances de não entrar em pânico dentro da aeronave, uma delas é vendar seu solhos no aeroporto, depois escolher um terreno baldio, com o mato cobrindo sua cabeça, temos muito por aqui, só assim retirar suas vendas bem devagar, aí o mato o convencerá de estar fora de seu país, pois lá o mato é coisa rara.

Por isso, o psicólogo tem que ter jogo de cintura para convencê-lo de que o asfaltamento da cidade foi planejado para suportar apenas trânsito levíssimo, como: táxi, mototáxi, bicicletas, alguns ônibus, carrinhos de reciclagens, isso tem de monte. Foi projetada assim, pois não teríamos fábricas por virem, as que tinha, seus dias estavam contados. Para relaxá-lo, deverá ser mostrado o lado bom da cidade, a rodovia que corta a cidade, asfalto bom, foi bem planejado para suportar o trânsito intenso de carretas de areia, de tijolos e de caminhões de concreto, para a construção da maior Cohab da América Latina, que maravilha! que status para nossa cidade! Também teria muito fluxo de caminhões de mudanças, vindas de todos os cantos da região.

Seu projeto inicial teve de ser modificado para reforçar as pilastras dos viadutos, para suportar o pesadíssimo trânsito de carretas e mais carretas, vindas da pujante cidade vizinha que é Marília, e Pompéia, se ele for na última, verá uma fábrica maior que a própria cidade, que prosperidade! Dá vontade de mudar para lá. Que inveja! Forasteiro, seja bem-vindo, não lhe garantimos emprego, traga dinheiro para sua subsistência, você acabará se acostumando com tudo isso, a cidade não tem muito a oferecer-lhe.

Luiz Tadeu Machado

Comentários

Comentários