Internacional

EUA admitem prisões secretas da CIA

Folhapress
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Washington - O presidente dos EUA, George W. Bush, em mais um discurso sobre os cinco anos do 11 de Setembro, admitiu pela primeira vez, desde que assumiu o governo dos EUA, a existência de prisões secretas da CIA e a captura de suspeitos de terrorismo levada a cabo em outros países. “Nossa segurança depende de informações adquiridas dessa maneira (com a captura de suspeitos em outros locais).” A revelação sobre as prisões secretas da CIA foram divulgadas no ano passado em artigo publicado pelo jornal “The Washington Post”.

Durante seu discurso, Bush também disse que 14 suspeitos detidos nessas prisões secretas serão beneficiados pelos direitos das Convenções de Genebra e terão sua custódia transferida para o Departamento de Defesa dos EUA. O Pentágono também baniu uma série de métodos de interrogatório considerados abusivos.

Entre os 14 suspeitos de terrorismo que serão transferidos está o suposto mentor dos atentados de 11 de setembro de 2001, Khalid Sheik Mohammed.

O presidente Bush também disse ainda que será instaurado um projeto para reestruturar os julgamentos dos estrangeiros acusados de terrorismo que estão detidos na base americana de Guantánamo (Cuba).

As mudanças parciais na política americana de detenção de suspeitos ocorre mais de dois anos após a revelação dos escândalos de abuso sexual e maus-tratos levados a cabo por soldados americanos na prisão de Abu Ghraib, no Iraque, expostos por meio de fotografias que causaram revolta na comunidade internacional.

Grupos de direitos humanos também criticaram duramente a forma como são tratados os suspeitos (em sua maioria muçulmanos) detidos em Guantánamo, sem direito a advogados nem julgamento, além de serem expostos a humilhações religiosas.

Ilegalidade

Em junho último, a Suprema Corte declarou que as cortes militares especiais criadas para julgar os presos na base de Guantánamo são ilegais. Apesar disso, Bush alega que sua capacidade de comandante-em-chefe durante uma guerra lhe confere a faculdade de estabelecer essas cortes, que funcionaram com regras extraordinárias e que limitam os direitos do acusado. Mas, segundo a máxima instância judicial do país, o presidente americano se excedeu em suas atribuições.

Bush iniciou na semana passada uma série de discursos sobre o terrorismo por ocasião do quinto aniversário do 11 de Setembro, quando terroristas lançaram aviões contra as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, e o Pentágono, nas cercanias de Washington, causado a morte de cerca de 3 mil pessoas.

No primeiro desses discursos, pronunciado na quinta-feira passada, em Salt Lake City (Utah), Bush comparou os radicais islâmicos a fascistas, nazistas e “outros totalitários” do século 20, e afirmou que a guerra contra esses grupos é a batalha ideológica decisiva do século 21.

No segundo discurso, feito anteontem, Bush afirmou que os radicais islâmicos querem fabricar armas nucleares e de destruição em massa para “chantagear o mundo livre, divulgar suas ideologias de ódio e ameaçar os americanos”.

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