Bagdá - Duas explosões quase simultâneas causaram a morte de nove pessoas e deixaram outras 39 feridas ontem no norte de Bagdá. Em outra região da Capital, a polícia encontrou 19 corpos com sinais de tortura em bairros nas duas margens do rio Tigre. Todos tinham mãos e pés amarrados, apresentavam sinais de tortura e foram baleados.
Os novos registros de violência foram revelados um dia após o presidente do Iraque, Jalal Talabani, ter expressado otimismo ao dizer que a violência no país terminaria até o final do próximo ano.
As explosões aparentemente coordenadas de ontem ocorreram em um estacionamento e em uma estrada. As bombas detonadas com poucos minutos de diferença tinham como alvo uma patrulha que passava pelo local em momento de grande movimento de veículos e pessoas, disse o tenente Mohammed Khayun. Dois dos mortos eram soldados iraquianos. Entre os feridos também há oito militares.
No nordeste da Capital iraquiana, um homem abriu fogo contra peregrinos que se dirigiam para a cidade de Karbala, sagrada para os xiitas, matando uma pessoa e ferindo duas.
Anteontem, o Parlamento iraquiano votou a favor da prorrogação do estado de emergência no país por mais um mês. A medida, em vigor há cerca de dois anos, atinge todo o Iraque, exceto a região autônoma curda, e possibilita a imposição de toques de recolher e prisões sem autorização prévia da Justiça.
Também ontem, a explosão de um carro-bomba no subúrbio de Mossul (360 quilômetros de bagdá) atingiu uma patrulha iraquiana. A emboscada matou seis policiais, segundo o major Ahmed Khalid.
A violência sectária ganhou força nos últimos meses em diferentes partes do Iraque, sobretudo depois de um ataque a um santuário xiita em Samarra, ao norte de Bagdá, que destruiu uma das cúpulas douradas do templo, em 22 de fevereiro último.