Não foi a ação do tempo, tampouco a vontade dos ex-associados. Mesmo assim, o Bauru Atlético Clube (BAC) está prestes a desaparecer do mapa da cidade. Ao que tudo indica, para ceder espaço a um supermercado.
Nos últimos dias, o prédio começou a ser demolido, e em ritmo acelerado. Dentro de pouco tempo, as imagens do clube que revelou o “Rei Pelé” para o mundo do futebol estarão apenas nos arquivos de fotos ou na memória de quem teve o privilégio e a oportunidade de ser um associado.
“Freqüentei o BAC desde quando nasci. Foi onde descobri o mundo, era o lugar onde eu tinha lazer, encontrava com ídolos. Sou palmeirense porque no BAC vi o Ademir da Guia e o Luiz Pereira”, lembra com orgulho e saudosismo o professor de língua portuguesa Sinuhe Preto.
Os antigos carnavais que eram promovidos no clube também despertam boas lembranças. “Desde criança fui forte freqüentadora do carnaval. Era ótimo. Mas eu também participava da natação, das domingueiras. Meu pai jogou futebol pelo BAC. Vivemos parte de nossas vidas lá dentro”, relembra a operadora de teleatendimento Cláudia de Cássia Coelho, filha de José Carlos Coelho, um dos mais conhecidos nomes do futebol do BAC nos antigos tempos.
De fato, é difícil pensar no BAC sem pensar em esporte, principalmente em futebol. Como se fosse hoje, o historiador Luciano Dias Pires lembra a rivalidade que existia entre o BAC e o Esporte Clube Noroeste em campo e nas arquibancadas. “As torcidas eram literalmente divididas. A concorrência entre os dois times era acirradíssima e muito equilibrada. Mas o marco do BAC, indiscutivelmente, foi Pelé, que se revelou num campeonato infanto-juvenil da cidade, no começo dos anos 50”, ressalta Pires.
No vôlei, assim como no futebol, o BAC também marcou época. A equipe feminina do clube conquistou entre as décadas de 90 e 2000 importantes títulos no Estado de São Paulo. Garantiu o troféu de campeã nos Jogos Regionais em nove oportunidades consecutivas, além do tricampeonato nos Jogos Abertos do Interior. Títulos paulistas e da Associação Pró-Vôlei (APV) também integraram o currículo de vitórias. O time masculino, a exemplo do feminino, sempre esteve entre a elite do vôlei estadual, garantindo importantes títulos, inclusive de Jogos Regionais.
“Minha lamentação é igual ao do torcedor ferrenho do BAC, que ainda existe por aí. É triste ver um clube de tantas glórias no futebol, o gramado que o Pelé pisou, serem extintos. Esta semana, quando passei em frente (do BAC) e vi a demolição do prédio, a arquibancada já descoberta e os caminhões retirando o entulho, foi difícil conter a emoção”, comentou Pires.
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Mais de oito décadas de história
A história de 87 anos do Bauru Atlético Clube (BAC) começou em 1 de maio de 1919, quando foi criado o time de futebol Luzitana, em homenagem à Casa Luzitana, – estabelecimento comercial que funcionava no Centro Bauru.
O maior idealizador do time foi Antônio Garcia, sócio-proprietário majoritário da empresa, que foi o maior contribuinte para a aquisição do terreno onde foi construída a sede do BAC. A equipe de futebol só passou a ser denominada Bauru Atlético Clube em 1946 – no cinqüentenário da cidade – para atrair mais torcedores bauruenses. Mas foi apenas na década de 60 que foi constituído clube social.