Em seis dias, o preço do litro do álcool fica R$ 0,14 mais barato. De quarta-feira, dia 30, até ontem, o preço do álcool caiu 10% nas bombas de Bauru. O motivo é a nova guerra de preços travada entre os postos de combustível na cidade. Já a gasolina, que no dia 30 era encontrada a R$ 2,47 nos postos mais baratos pesquisados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), ontem podia ser comprada até a R$ 2,29 o litro (queda de 7%).
Mesmo com a concorrência entre os estabelecimentos, os combustíveis apresentaram uma redução nacional. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a queda da inflação em agosto foi de 0,05%, impulsionada pela diminuição dos preços do grupo de transporte. A alta da gasolina caiu de 0,81% para 0,4% e o álcool de 1,04% para 0,8% negativo.
“É uma guerra de preços entre os postos. Tem estabelecimentos comercializando álcool a R$ 1,29 e gasolina a R$ 2,39. Ficamos sabendo de um vendendo a R$ 2,29”, conta Wagner Siqueira, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro). De acordo com informações obtidas com proprietários de postos de combustível, a briga começou na sexta-feira da semana passada, mas a queda se intensificou a partir da segunda-feira.
“Foi um posto que começou e os outros tiveram que correr atrás. Como vou vender álcool no preço normal na frente de um concorrente que vende R$ 0,15 a menos?”, questiona um comerciante que preferiu não se identificar. De acordo com ele, com essa margem de lucro os comerciantes não conseguem pagar nem mesmo os impostos referentes à venda do combustível. Para Siqueira, a queda não tem previsão de terminar e, embora seja muito boa para o bolso dos consumidores, pode causar grandes prejuízos aos comerciantes.
“As companhias estão vendendo álcool a R$ 1,25 o litro. Como um posto pode se manter vendendo o combustível a R$ 1,29? É matematicamente impossível”, observa. De acordo com os cálculos do dirigente, para o posto se manter, é necessário uma margem de lucro de R$ 0,30 no litro. Com isso, consegue pagar o aluguel do ponto, pagar os funcionários, os impostos e garantir a circulação de mercadoria.
Em Bauru, operam cerca de 96 postos de combustível. A média é que em cada um trabalhe até 10 pessoas. “Se essa queda se mantiver, teremos que reavaliar os prejuízos. Podendo até acontecer corte nos quadros de funcionários”, observa Siqueira. O custo operacional dos estabelecimentos variam de R$ 25 mil até R$ 35 mil ao mês. “Mas acredito que essa guerra de preços seja temporária. Senão, teremos muitos prejuízos”, avalia.