Bairros

Para presidente de associação, falta qualidade aos profissionais da área

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

A maioria dos profissionais de beleza em atividade atualmente no País não está capacitado para oferecer serviços satisfatórios ao público. Esta é a visão de Conceição Alves, presidente da Associação dos Profissionais de Institutos de Beleza de São Paulo (APIBSP), entidade que representa 9.500 profissionais do ramo no Estado.

Segundo ela, que tem 57 anos e está na associação desde 1969, o motivo para essa falta de qualidade está no número excessivo de profissionais atuando pelo País afora (348 mil, segundo estimativas da entidade). “Em cada esquina que você olha tem um salão de beleza”, reclama ela, que trabalha há 40 anos no ramo e tem um estabelecimento no bairro do Itaim Paulista, zona leste da cidade São Paulo.

O grande problema, de acordo com Alves, está na falta de regulamentação da profissão de cabeleireiro, que permite que pessoas sem formação possam atuar na área. “Basta que a pessoa saiba fazer um corte mediano para que se julgue capacitada a montar um negócio”, critica ela.

A solução para a falta de formação poderia estar nas escolas de capacitação profissional, mas também neste caso Alves lança dúvidas quanto à qualidade dos serviços oferecidos pelas instituições disponíveis no mercado.

“Hoje em dia qualquer pessoa pode abrir uma escola, inclusive, muitos cabeleireiros apelam para isso quando não estão conseguindo lucros satisfatórios com salões de beleza”, acusa.

De acordo com ela, o tempo necessário para a formação adequada de um profissional da área seria de um ano e meio. “O aluno sairia da escola sabendo não só como cortar e pentear, mas conhecendo o básico de atendimento ao público e administração de salões”, defende.

Apesar disso, poucos são os cursos com duração tão longa. “Conheço alguns que liberam certificado com apenas três meses de aula”, garante. Em Bauru, os cursos têm em média um ano de duração e investem na formação básica dos alunos.

Além da queda no faturamento dos salões, Alves aponta perigos envolvendo a fraca formação dos profissionais disponíveis atualmente no mercado. “Alguns tratamentos, quando feitos de maneira errada, podem causar danos graves à saúde do cliente, como queimaduras e reações alérgicas”, alerta.

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