Política

Mercadante aceita pedágios, mas quer repactuar contratos

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

O candidato a governador de São Paulo pelo PT, Aloizio Mercadante, disse ontem, em Bauru, que o modelo de concessão de estradas vai ser mantido se for eleito. Contudo, o senador não concorda com a atual regra de reajuste anual dos valores das tarifas cobradas nas principais rodovias paulistas, diz que vai renegociar os contratos e não repetir o atual modelo em um governo sob seu comando, se vencer as eleições deste ano.

“O contrato de concessão de rodovias feito pelo PSDB é mal indexado, porque eles usaram o IGPM e neste índice 70% é taxa de câmbio. Toda a desvalorização do Real virou taxa de pedágio. O índice da União é baseado no custo do setor. Então, é massa asfáltica, terraplanagem, cimento. Com isso, você tem um indexador mais apropriado para o setor. Nós temos que ter um modelo mais eficiente que o atual e eu diria que tem espaço para repactuar esses contratos com as concessionárias”, argumenta o candidato.

Ele afirmou que vai negociar com as concessionárias a alteração no atual mecanismo de elevação das tarifas nas praças de pedágio, cujo reajuste é garantido todo ano pelos contratos de privatização assinados pelo governo tucano. “Nós repactuamos na União contratos no setor de energia, contratos com o BNDES, porque realmente o que o PSDB fez a nível federal em oito anos de FHC foi exatamente o que fez em São Paulo. Deixou o setor privado assumir com essas regras, privatizou 76% do patrimônio público e continuam vendendo, acabaram de vender a Ceetp, uma empresa que dava lucro de R$ 450 milhões, estão agora querendo vender a Nossa Caixa, com R$ 810 milhões de ações e vem num processo de desmonte do Estado”, critica.

Mercadante disse que defende parceria com o setor privado, mas que é preciso mudar o modelo. “O modelo de concessão de estradas em São Paulo é um bom sistema. São Paulo tem 196 mil quilômetros de estrada, 176 mil quilômetros de estradas vicinais, a maioria em mau estado, e por isso é importante a parceria. O que não pode é ter abuso tarifário como tivemos”, conclui.

Ignorando FHC

O candidato petista procurou ignorar a força e o efeito das declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que em carta aos tucanos, ontem, apontou erros do PSDB na condução da disputa eleitoral com o PT, mas que, também, criticou de forma pesada os eventos de corrupção em torno do governo Lula, como o mensalão e o esquema das sanguessugas. “Eu entendo o desespero do ex-presidente, mas ninguém presta atenção no que ele fala, nem eu. O Fernando Henrique não consegue nem quem o queira junto com sua foto na campanha, ninguém fala dele e não quer ele no palanque. Isso é desespero”, diz Mercadante.

O petista ainda acredita na realização de segundo turno nas eleições paulistas e adianta que, nesta etapa, quer o apoio de todos os demais candidatos e partidos contra o tucano José Serra. “O segundo turno é exatamente pra gente ampliar as alianças. Todo apoio para o segundo turno vai ser bem vindo. O meu sentimento é que a ampla maioria dos 11 candidatos que disputam o governo de São Paulo estão na oposição contra o atual governo e têm demonstrado insatisfação muito grande contra esses anos de governo PSDB/PFL. Todos que quiserem serão bem-vindos, inclusive o Orestes Quércia”, conta.

Aloizio Mercadante voltou a comentar que quer debater os problemas do Estado com os tucanos, voltando a criticar a ausência de José Serra nos eventos, sobretudo na televisão. “Ele precisa discutir o demonste do Estado no governo PSDB, a crise na segurança pública, a má qualidade do ensino e ele foge do debate”, ataca.

Do mesmo modo, sobre a ausência do presidente Lula (PT) no debate com o tucano Geraldo Alckmin (PSDB) na esfera federal, Mercadante disse que sua posição é a de que o petista compareça aos debates. Ele aproveitou para indicar que o presidente deve aparecer em pelo menos um debate ainda neste primeiro turno. “As emissoras de televisão estão organizando os debates, minha posição pessoal é a de que ele vá debater e vocês devem ter surpresa e vão ver que o presidente vai dar um show em seu adversário ao comparar o que foi o governo PSDB e as conquistas do atual em apenas três anos e meio”, indica.

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