A polícia encontrou, na tarde de ontem, uma bandeira com inscrições alusivas ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Pendurada no alto da chaminé de uma fábrica abandonada na região central da cidade, sua retirada mobilizou a polícia e os bombeiros.
O pequeno pedaço de pano branco continha, desenhado à mão, um símbolo – parecido com chinês yin e yang –, uma seqüência de números (15.33), a sigla da facção criminosa (PCC), além de palavras (pais, lebe, iqua).
Um policial militar que passava pelo local avistou algo estranho no alto da chaminé da antiga fábrica da Antarctica, localizada na Avenida Nações Unidas, próximo à linha férrea, e decidiu averiguar o que se tratava. Com o auxílio de um bombeiro, o pedaço de pano foi retirado e levado à Delegacia de Investigações Gerais (DIG).
De acordo com o delegado Silberto Sevilha Martins, titular da DIG, tudo leva a crer que se trata de uma brincadeira de mau gosto. “Tal atitude não faz parte do tipo de conduta deles (facção). A polícia não acredita que isso seja uma coisa séria. É mais um tipo de brincadeira irresponsável de uma pessoa que não possui consciência cívica”, afirma.
O delegado critica a atitude. “Acho que a sociedade precisa de paz para viver. Mas fica difícil quando um engraçadinho promove um ato desse, que acaba mobilizando polícia e bombeiros que poderiam estar beneficiando a população. No inconsciente coletivo de segurança, ou insegurança, isso fomenta mais ainda atitudes irresponsáveis”, completa.
Inversão de valores
Segundo o titular da DIG, um fenômeno social ajuda para a proliferação de atitudes controversas pela população. “O que a gente percebe é que ao longo do tempo a sociedade vem tomando uma postura interessante. Há uma inversão de valores. Você começa a dar muita ênfase àquilo que é errado. O papel do certo ficou antiquado. O certo não está na moda”, acredita.
Para Martins, a sociedade tem que cumprir seu papel ajudando a polícia a combater a criminalidade. “A população precisa se posicionar. Hoje esse não é só um problema da polícia. É um problema social. A polícia faz parte desse contexto quanto órgão detém o poder de reprimir o crime”, destaca o delegado. “Se a pessoa for pega fazendo apologia ao crime, ela responde a inquérito judicial”, completa.