Ótima a carta de José M. V. de Macedo sobre o censo animal (JC, 30/7/06). A ocasião é propícia para orientar e exigir dos proprietários mais cuidados para com os animais.
Percorram a cidade a pé. Há muito mais cachorros sofridos do que bem tratados. É impressionante o número de cães presos, amarrados e acorrentados. Todas as classes sociais praticam esta crueldade e poucos se importam com isso. E os adestramentos cruéis e absurdos? Não temos uma política pública que defenda os bichos e suas necessidades básicas. Agora, o cachorro ser privado até de andar e se locomover livremente, é demais!
Ongs, Ministério Público, fiscais do censo animal, vamos proibir essa prática, vamos denunciar, penalizar e orientar os donos de animais? (de ilusão também se vive!) Em Turim, cidade da Itália, há uma lei municipal que obriga o dono do cachorro a levá-lo a passear todos os dias, ou sair várias vezes. Os infratores são denunciados por vizinhos e pela população, sob a pena de multa e cadeia. Comunidade evoluída porque só vai ter um cão quem puder.
Muitos têm uma concepção de que o ser humano é prioridade, que é o centro de tudo. Pois bem, só acredita nisso quem não sabe o que é o Universo, quem não tem conhecimento dos avanços da ciência e quem não sabe como funciona a interdependência dos ecossistemas. Ao contrário do que apregoa a pretensa superioridade humana, somos os mais tenebrosos predadores do planeta. Armas, bombas, guerras, torturas, ganância, espécies vegetais e animais destruídas: somos ou não somos?
Uma fiscalização deveria controlar as criações de animais para venda. Evitem comprar cães de criadores, lojas, pet-shops e feirinhas. Adotem um animal. Se você quer combater a leishmaniose, colabore com a limpeza da cidade e não compre um cãozinho, adote um das ruas e dos abrigos. A cidadania passa por isso também.
Vera R. Jeanete Cardoso - professora, ambientalista - RG 14.557.097