Aos 43 anos, Reinaldo Munhoz tem muitos desafios na vida, entre eles o de dirigir duas escolas do Serviço Nacional de Aprendizagem Indústrial (Senai), a de Bauru e de Lençóis Paulista. Em casa, é o único homem – mora com a esposa e duas filhas - e brinca que precisa se esforçar muito para ser ouvido. Além disso, descende de uma família de são-paulinos e resolveu ser corintiano. Mas não acha ruim. “Sou uma pessoa competitiva por natureza e gosto de sempre ter um desafio a vencer”, define-se.
A competição realmente está presente na vida de Munhoz. Ele coordena uma equipe de 160 funcionários diretamente. Quando chega em casa, precisa de tempo para cuidar dos 25 cães e 600 canários. Os animais participam de competições pelo País.
A história do Senai confunde-se com a sua vida. Há 20 anos, ele estudou na escola em que hoje é diretor regional, em Bauru. Atualmente, passa por uma fase de renovações na família. As filhas estão na faculdade, conquistando a liberdade e individualidade. A paixão pela família fica evidente: orgulha-se de estar casado e faz questão de falar por telefone com a filha, que mora no Rio de Janeiro, todos os dias.
Como a busca por inovações faz parte de seu dia-a-dia, Munhoz rendeu-se ao ciclismo como maneira de se distrair. “Tenho um grupo de amigos ciclistas e andamos uns 150 quilômetros toda semana”, conta.
No escritório decorado com cores branca e preta (homenagem ao Corinthians), Munhoz conseguiu parar por 20 minutos para dar entrevista ao Jornal da Cidade. Não foi fácil, afinal, ele trabalha cerca de 15 horas por dia e gosta muito do que faz.
Jornal da Cidade - É verdade que você já foi aluno do Senai? Reinaldo Munhoz – Com certeza, estudei nesta escola (João Martins Coube, na rua Virgílio Malta) de que hoje sou diretor. Eu me formei em dezembro de 1977 no curso de mecânica geral.
JC - Você é natural de Bauru? Munhoz – Sou paulistano, mas vim para Bauru quando era criança, em 1973, e aos 14 anos ingressei nesta escola (Senai) e aqui estou. Fui aluno aprendiz em uma empresa de máquinas agrícolas.
JC – Como cerca de 80% dos alunos que estudam no Senai e terminam o curso empregados, foi assim com você também? Munhoz – Pois é, na verdade eu já entrei empregado. Uma pessoa que eu tenho admiração muito grande, o meu tio Jair Manzato, era um dos funcionários de carreira na empresa que comecei a trabalhar e me inspirei nele para crescer.
JC – E quando você retornou ao Senai? Munhoz - Quando me formei no Senai, trabalhei na indústria e em 1986 retornei como professor na área de mecânica geral. Fiquei até 1993 dando aula, quando fui designado a montar a escola de Lençóis Paulista juntamente com minha equipe. Em 2001, fui transferido novamente para Bauru, mas acumulando a diretoria das duas escolas. Realizei um grande sonho. Acho que a maioria dos alunos que estudam no Senai tem vontade de retornar à casa. E é o que tem marcado a escola. O aluno acaba vislumbrando uma possibilidade de carreira no Senai.
JC – Então, sua vida pessoal também é ligada ao Senai? Munhoz – Acho que minha história pessoal se confunde com a do Senai. É um fato curioso. Quando me formei, trabalhei também em indústrias, me casei e tive duas filhas. Fiquei com dúvidas quando tive que optar entre continuar no meu emprego ou retornar ao Senai, mas sempre fui muito encorajado pela minha mulher (Rose Munhoz) e minha família.
JC - Os alunos do Senai de Bauru e Lençóis são bastante competitivos. Recentemente, eles venceram as etapas estadual e nacional da Olimpíada do Conhecimento e representarão o Brasil no Japão no ano que vem, na fase final. Você também se considera competitivo e determinado como eles? Munhoz – Bastante. Eu sempre digo que tive origem humilde, mas com uma base familiar fantástica dos meus pais. Eles sempre priorizaram a qualificação dos filhos através do estudo. Nunca faltaram a uma reunião de pais na escola e isso foi determinante na minha vida. Aprendi com eles a ter força de vontade. Costumo dizer que eu supero as minhas deficiências com a determinação e busca incessante. Esses alunos (do Senai) têm determinação e humildade porque trabalham em grupo. Acredito que a determinação é uma das minhas poucas virtudes. JC – Você tem duas filhas, não é? Elas moram em Bauru? Munhoz – Sim, filhas maravilhosas. Uma tem 23 anos, a Érica, e a outra tem 21 anos, a Natália. Elas são a nossa razão de viver. A Érica é quase doutora, mora no Rio e faz faculdade de medicina há 5 anos. Está chegando hoje (quarta-feira) para ficar esta semana com os velhinhos (risos). A Natália faz fisioterapia e está no último ano também. Ela quis ficar em casa porque é mais apegada e temos boas ofertas de estudos na cidade.
JC – Como é ter uma das filhas longe de casa? Munhoz – Ah...é terrível. Na verdade, é interessante. Buscamos não influenciar a escolha da profissão de nenhuma das duas filhas porque queríamos que elas fossem felizes naquilo que optassem. Mas estar longe é sempre difícil, sobretudo para o pai. A gente começa a sentir que, a partir desse momento, você não é mais o ídolo. Por outro lado, é um ciclo natural. Os filhos, hoje, emancipam-se muito cedo. Eles têm acesso à informação e constróem sua individualidade muito cedo. Eu fico muito feliz porque hoje já lido muito bem com essa situação. Dá uma saudade imensa, mas nos falamos todos os dias por telefone. JC – Todos os dias? Munhoz – Todos os dias. A nossa relação sempre foi essa, muito próxima. A gente fica muito orgulhoso porque ela construiu essa individualidade, administra o seu orçamento e tem sido uma ótima aluna na faculdade. As duas filhas são assim, inclusive. Elas têm essa mesma predisposição a ter sua individualidade. A Natália tem seu estágio, é monitora na universidade. Elas estão bem encaminhadas.
JC – E a sua mulher, tem papel importante na criação das filhas? Munhoz – Eu tive o privilégio de casar com a Rose, que também veio de uma família com ótima base. Somos de famílias muito humildes, mas que possuem vetor de vida pautado na ética, determinação e na humildade. São qualidades necessárias para qualquer pessoa.
JC - O que você aprende com as mulheres? Munhoz – A sensibilidade, a coerência e o bom senso. Mas, principalmente, o equilíbrio que tento buscar na minha vida e no meu trabalho. Acho que consegui isso com a minha mulher. Ela é muito equilibrada e criativa, uma artista. As meninas também têm essa herança da mãe. Sempre que percebo que estou saindo fora do ponto ideal, do baricentro da questão, lembro-me das três mulheres que tenho e que são equilibradas.
JC – Você trabalha bastante, pelo que percebi. Sempre atendendo o telefone e resolvendo problemas. Quantas horas por dia se dedica ao trabalho? Munhoz – Pois é, muito trabalho. Pelo menos 15 horas por dia passo trabalhando. São duas escolas para dirigir, muito trabalho levo para casa. São muitas viagens por semana para Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Então, tem que ter um base sólida e a fonte de energia é a minha família.
JC – E quando você está em casa, o que gosta de fazer? Munhoz – Eu sou inquieto, mesmo em casa. Sou incapaz de ficar parado, mas tenho três grandes prazeres. O primeiro, claro, é a família. Sou muito caseiro e só saio de casa se for com a família. Também gosto de um bom churrasco com os amigos. Outra paixão é a criação de canários e um canil com pastores alemães que possuo. Ambos os animais participam de competições sempre.
JC - Você gosta de competições, não? Munhoz – Eu sou muito competitivo, as vezes até me policio em relação a isso. Gosto de estar envolvido em coisas que representam desafio. Mas também gosto de ficar com os amigos e descontrair. O engraçado é que a nossa casa é sempre o local de encontro. Isso é legal porque é uma forma de dividir as suas frustrações, expectativas e compartilhar com a família. Somos felizes com pouca coisa.
JC - Do que você precisa, então, para ser feliz? Munhoz - Do carinho das pessoas, da família, dos amigos e ter Deus em primeiro lugar. Faço parte de uma família que, apesar de ter todos os problemas comuns às pessoas, somos felizes e superamos as dificuldades. Também sou realizado no trabalho porque tenho uma equipe maravilhosa. Sou privilegiado e defendo minha equipe com unhas e dentes porque não sei trabalhar sem ela.
JC – Já que gosta tanto de desafios, quais são os próximos para sua vida profissional e familiar? Munhoz – Acho que no trabalho, o grande desafio na minha carreira é conseguir fazer com que as nossas unidades de Bauru e de Lençóis Paulista sejam reconhecidamente valorizadas, principalmente os talentos que trabalham comigo. Que eles consigam conquistar bons cargos na escola. Na minha família, acho que o maior desafio para os próximos anos é construir uma nova fase, com minhas filhas adultas. Que elas se formem profissionalmente e vivam intensamente essas mudanças. Também quero que meus pais e minha sogra tenham qualidade de vida, com saúde. Também tem outro desafio grande.
JC - Qual? Munhoz – Que o Corinthians seja campeão. É uma paixão sem explicação. O time é uma filosofia de vida para mim. Aprendi a ser corintiano com Ocimar Martins, um irmão por adoção que trabalha no Senai em Lençóis Paulista. Venho de uma família de são-paulinos – minha mulher, minhas filhas e meu sogro. Está difícil, sou minoria (risos).
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Perfil
Nome: Reinaldo Teixeira Munhoz
Idade: 43 anos
Local de nascimento: São Paulo
Profissão: diretor regional do Senai de Bauru e de Lençóis Paulista
Estado Civil: Casado
Família: Rose (mulher), Érica (primogênita) e Natália (caçula)
Cargo: diretor regional do Senai
Hobbie: Ciclismo
Cor: Azul
Nota 10: Pai e mulher
Nota 0: Cenário político atual
Livro de cabeceira: de gestão empresarial
Filme favorito: Cinema nacional