Eles cabem na palma da mão, mas não são só amarelinhos. Ambulantes que vendiam pintinhos multicoloridos na avenida Rodrigues Alves, em frente à Câmara Municipal e no Núcleo Mary Dota, foram autuados pela polícia no início da tarde de ontem. Mais de 740 animais que foram apreendidos ficarão sob a responsabilidade da organização não governamental (ONG) bauruense Naturae Vitae, responsável pela denúncia. Havia ainda 4 aves mortas.
Os vendedores foram encaminhados para a Plantão Policial de Bauru, onde foi registrado termo circunstanciado para posterior processo criminal, e foram liberados.
Os pintinhos chamavam a atenção principalmente de crianças que passavam pelas caixas lotadas de animais tingidos de azul, rosa, roxo, verde e vermelho. “Eles estavam sendo vendidos como brinquedinhos vivos, que cativavam as crianças, principalmente. No entanto, existem leis que impedem o comércio de animais vivos na cidade”, explica a bióloga da ONG, Fátima Schoreder.
De acordo com ela, houve contravenção da lei 9.605, de 1998, que discorre a respeito dos maus tratos contra animais. Várias “irresponsabilidades” foram apontadas. “Os animais foram tingidos, provavelmente com produtos químicos; estavam expostos ao ar livre; com certeza não estavam sendo alimentos corretamente; estavam acondicionados em um espaço muito pequeno para a quantidade de pintinhos; o transporte estava sendo feito de forma irregular; e, além de tudo, poderiam trazer problemas de saúde pública, já que não possuem registro de vacinas contra uma série de doenças”, explica.
A bióloga chama a atenção para mais problemas. “Não estamos apenas preocupados com os bichinhos, mas também com o cumprimento das leis. Havia também menores vendendo, o que pode caracterizar exploração”, afirma.
Segundo Fátima, a maior contravenção não seria a realizada pelo vendedor, mas sim das granjas que não se interessam pelos filhotes machos. “Sabemos que as pessoas que estavam fazendo essas vendas são humildes. Vamos trabalhar para descobrir quais são as granjas que descartam esses bichos de forma cruel”, destaca. “A nosso intenção também é que as pessoas saibam que a venda de animais na cidade é contravenção e não os adquiram”, completa.
De acordo com a sargento Maria de Lourdes Cardia, que estava no comando da operação, os responsáveis seriam encaminhados para a Delegacia Seccional e enquadrados por maus tratos. A ONG ficaria responsável pelos animais. Outra apreensão foi feita no Núcleo Mary Dota, em frente ao Supermercado Confiança.
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Ganha-pão
Um dos vendedores que foi autuado alegou ser de outro Estado e trabalhar com venda de pintinhos há bastante tempo. “Faz uns 20 anos que vendo na Bahia, em Pernambuco, São Paulo e nunca tive problema. Estou apenas levantando um dinheiro para viver”, afirma José Oliveira da Silva.
De acordo com ele, os pintinhos realmente foram adquiridos numa granja, em São Paulo. “Eles são refugo. Eles (granjas) colocam numa aparelho e moem 20, 30 mil por dia. Matam todos”, revela o vendedor, que afirma ter tingido os animais com tinta de confeitar bolos.