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Participantes do G-20 apelam por retomada de Doha

Folhapress
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Rio - Representantes do G-20 (grupo de países em desenvolvimento), reunidos ontem no Rio, fizeram um apelo para a retomada das negociações da Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC), que estão num impasse porque os países desenvolvidos não chegaram a um acordo com o grupo em relação à diminuição dos subsídios agrícolas na Europa e nos Estados Unidos.

Ao abrir a reunião, o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) afirmou que o fracasso nas negociações da rodada Doha “simplesmente não é uma opção’’ para os países em desenvolvimento. Para ele, o fato de os países do G-20 estarem reunidos no Rio já é uma sinalização clara da vontade de retomar as negociações.

Os integrantes do G-20 destacaram que a questão agrícola tem que estar no centro das negociações. “A maioria dos pobres do mundo faz da agricultura seu meio de vida. Suas condições de subsistência e seu padrão de vida encontram-se seriamente ameaçados pelos subsídios e pelas restrições de acesso a mercados que prevalecem no comércio agrícola internacional”, afirmaram os representantes do grupo em comunicado oficial.

O documento reitera ainda outros pontos defendidos pelo G-20 e outros grupos de países em desenvolvimento nas reuniões da rodada Doha, como a necessidade de um tratamento especial e diferenciado nas negociações em favor dos países mais pobres e o acesso a mercados livre de qualquer tipo de quota ou tarifa para os países de menor desenvolvimento relativo (países de menor peso econômico, principalmente da África e do sudeste asiático).

Para o G-20, “os países desenvolvidos (...) devem demonstrar sua disposição de implementar medidas que eliminem distorções ao comércio e promovam a abertura significativa de seus mercados, pois suas posições atuais não oferecem base para a conclusão bem sucedida das negociações”.

Reunião política

Apesar de a reunião do Rio ser mais política do que de negociação, o encontro ganhou importância porque foi justamente a principal bandeira do G-20 - a redução dos subsídios agrícolas nos países ricos - que levou a última reunião da rodada, em Genebra, ao fracasso. Para Amorim, o fato de os países desenvolvidos terem mandado representantes para o encontro é uma demonstração da importância do grupo.

Estão no Rio Peter Mandelson, comissário de comércio da União Européia, Susan Schwab, representante de comércio dos EUA, Pascal Lamy, secretário-geral da OMC, e Shoichi Nakagawa, ministro da agricultura do Japão. Hoje, os representantes de Japão, EUA e União Européia terão reuniões separadas com os membros do G-20.

O ministro brasileiro diz acreditar que esses encontros permitirão o início do processo de retomada das negociações.

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