Regional

Sorveteria no Centro de Jaú é local de encontro de políticos

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Jaú - A Sorveteria do Pereira, com mais de 60 anos e muita tradição na cidade de Jaú, é o ponto de encontro de políticos nacionais e estrangeiros na cidade de Jaú (a 47 quilômetros de Bauru). Em ano eleitoral, o local é freqüentado por candidatos, que ali discutem alianças e estratégias para campanhas. O político mais famoso que ali compareceu foi o general Alfredo Stroessner Matiauda, presidente do Paraguai de 1954 a 1989.

Quando Stroessner entrou na sorveteria, ninguém entendeu nada. Primeiro, porque ele não era figura conhecida e depois porque surgiram vários seguranças, lembra o proprietário do estabelecimento, José Gilson Guarnieri Garcia.

“Eu ainda era criança e a sorveteria era de meu pai. O presidente chegou junto com o empresário Sebastião Camargo, dono da fazenda Morro Vermelho, aqui de Jaú. Eu não me lembro bem da data, mas foi na década de 70”, diz.

O empresário, que era cliente da sorveteria, resolveu levar o então ditador paraguaio sem aviso prévio. “Camargo nunca foi político, mas era muito bem relacionado por ser um empresário de sucesso. Ele e a família consumiam o nosso sorvete e sempre fazíamos entregas na fazenda”, conta.

Depois das apresentações de praxe, o então presidente saboreou um sorvete. “Nós ficamos surpresos e honrados com a presença dele na nossa sorveteria. Ele deixou até uma flâmula como lembrança”, diz Garcia.

Além de Stroessner, outros figuras políticas fizeram a história da sorveteria. Isso aconteceu por que Jaú sempre foi dominada por dois grupos políticos (Arena e PMD) na década de 50, comenta Garcia.

“Como era a única sorveteria da cidade e estava localizada na região central, começou a ser freqüentada pelos políticos”, explica. Nessa época, era obrigatório assistir um filme no Cine Jaú e depois saborear um sorvete no Pereira. Para não se ‘trombarem’, os grupos adversários alternavam horários, relembra o proprietário.

A tradição se perpetuou e atualmente os políticos da cidade e aqueles que visitam Jaú têm passagem ‘quase’ que obrigatória pela Sorveteria do Pereira, que atualmente é um misto de cafeteria e sorveteria.

O café expresso foi implantado na sorveteria, segundo Garcia, na década de 70, quando houve um inverno rigoroso e a venda do sorvete desabou. “Meu pai trouxe a primeira máquina de café expresso para Jaú.”

O período matutino é o preferido pelos políticos daquela cidade, frisa o proprietário da sorveteria. “O café domina o ambiente no período da manhã. Adversários políticos se encontram aqui e traçam estratégias, conversam e fazem alianças”, finaliza.

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