Beleza não se põe mesa, diz o ditado. A máxima pode até ser verdadeira em outros lugares, mas não em Bauru. Também pudera: estabelecimentos voltados para área da estética estão entre os mais fáceis de serem encontrados na cidade.
Oficialmente são 1.100, entre salões de beleza, clínicas e profissionais autônomos, devidamente cadastrados na Secretaria Municipal de Finanças. “Esta cidade tem mais lugares para se cortar cabelo do que bares”, reclama Silmara Aparecida Siqueira, dona de dois salões localizados no Centro.
Ela erra por pouco, já que o número de bares existentes em Bauru é ligeiramente maior que o de estabelecimentos de beleza: aproximadamente 1.200, segundo estimativas do Sindicato dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares.
A concorrência no setor é grande. Há dois anos, Siqueira fez um levantamento informal sobre a quantidade de lugares do gênero na área central da cidade. Ela delimitou uma espécie de quadrilátero entre a avenida Rodrigues Alves e a rua 1.º de Agosto, da rua Monsenhor Claro à Araújo Leite, e acabou identificando 400 salões de cabeleireiros no local.
O número é superior à quantidade de padarias existentes em todos os bairros de Bauru: apenas 261, segundo dados da Secretaria Municipal de Finanças. São tantos estabelecimentos do gênero funcionando na cidade, que anda difícil para os profissionais de beleza ganharem o pãozinho diário.
Siqueira, que trabalha há 11 anos no setor, conhece essa dificuldade. “Há dez anos, meu ex-marido cobrava R$ 15,00 pelo corte”, recorda. Hoje em dia, ela cobra R$ 7,00 pelo serviço, incluindo lavagem de cabeça.
“Tem muita gente trabalhando nessa área. Os cursos têm duração rápida e as pessoas acreditam que encontrarão emprego com facilidade”, diagnostica Siqueira. Nas escolas existentes em Bauru, com apenas um ano de aulas, qualquer indivíduo pode obter um certificado de cabeleireiro.
“O aluno sai daqui com conhecimentos básicos em corte, penteados e algumas químicas mais simples”, afirma Luiz Carlos da Silva, dono de uma escola na rua Araújo Leite, que funciona há dez anos.
Como a profissão não é regulamentada, o certificado emitido pelas instituições de ensino acaba tendo mero valor simbólico. “A pessoa pode acrescentar ao currículo, para tentar um colocação melhor no mercado”, diz Cláudia Soares Mendes, proprietária de uma centro de formação de cabeleireiros situado no Centro da cidade.
A falta de regulamentação facilita o ingresso de profissionais no mercado. “Com alguns meses de curso, muitos alunos pensam que já sabem tudo e param de freqüentar a escola para trabalhar”, lamenta Silva.
Formação inadequada, que acaba criando riscos aos clientes. “Alguns tratamentos, quando feitos de maneira incorreta, podem derrubar todo cabelo de uma pessoa”, alerta Conceição Alves, presidente da Associação dos Profissionais de Institutos de Beleza de São Paulo (APIBSP), que representa cerca de 9.500 trabalhadores do setor em todo Estado .
Num universo tão grande, como o da área da beleza Bauru, as realidades são distintas, indo desde o salão “chique” da zona sul, que cobra mais de R$ 900,00 por um alongamento, até o mais simples, da região noroeste, que cobra apenas R$ 4,00 por um corte de cabelo, sem contar clínicas de estética e salões de manicure.
Com ou sem formação adequada, o número de profissionais de beleza cresce em ritmo acelerado na cidade e talvez, no futuro, venham a ser tantos quanto fios de cabelo na cabeça de uma pessoa.