Bairros

Diversidade é marca nos salões da cidade

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Numa época como a atual, em que cabelos ganham cores e estilos variados, os salões de beleza também são marcados pela diversidade. Em Bauru há estabelecimentos para todo gosto e poder aquisitivo.

Na zona sul, nas regiões próximas à avenida Getúlio Vargas, há salões que cobram R$ 40,00 por um corte de cabelo. No Centro, os preços caem para R$ 7,00, em média, podendo chegar a R$ 4,00 nos bairros de periferia.

Tamanha diferença é reflexo da clientela existente em cada região. Nos estabelecimentos da zona sul, por exemplo, o público majoritário é composto por pessoas de classes alta e média alta. “Quem procura meu salão está mais preocupado com qualidade do serviço do que com o dinheiro que vai gastar”, afirma Sebastião Ferreira de Souza, proprietário de um local do gênero nos Altos da Cidade.

A professora de inglês Vânia Corrêa dos Santos Clementino freqüenta o salão de Souza há três anos e paga os preços praticados no local. “O importante é que me ofereçam um tratamento de qualidade, com bons produtos”, diz ela, que também é tradutora e vai mês ao cabeleireiro pelo menos duas vezes ao mês.

A opinião de Corrêa é compartilhada pela maioria dos clientes de Souza, tanto que ele pode cobrar acima de R$ 900,00 por um alongamento. Serviços parecidos podem ser encontrados no Centro da cidade por R$ 600,00, mas Souza está sempre repleto de clientes (há casos de noivas com ‘Dia da Noiva’ agendado para outubro do ano que vem).

“Em alguns sábados, chegam a passar mais de 120 pessoas por aqui”, diz ele, que trabalha há mais de 50 anos no ramo e tem 20 funcionários em seu estabelecimento, todos registrados.

Encontrar profissionais empregados com carteira assinada é algo raro nos salões de beleza de Bauru, pois a carreira de cabeleireiro não é regulamentada por lei. Na maioria dos locais, o trabalho é feito em sistema de prestação de serviços: o cabeleireiro vai todo dia ao salão e recebe um percentual do valor de cada cliente que atende.

Silmara Aparecida Siqueira, que é dona de dois institutos de beleza (um na avenida Rodrigues Alves e outro no Calçadão da rua Batista de Carvalho), é adepta do sistema. A cada serviço prestado em seus salões, ela ganha 40% do preço cobrado e os outros 60% ficam para o profissional (cabeleireiro ou manicure).

Ela só não adota a prática no caso do marido, Ronie Zanoni, que também trabalha no local como cabeleireiro. “O que ele ganha vai integralmente para o caixa do salão”, brinca Siqueira.

Para muitas pessoas ligadas à área, essa forma de parceria é desfavorável aos profissionais. “Se fosse verdade que cabeleireiros e manicures são prestadores de serviços autônomos, eles não passariam o dia todo no mesmo local de trabalho, mas iriam a outros lugares oferecer seus serviços”, critica Luiz Carlos da Silva, dono de um salão de beleza na região central da cidade e proprietário de uma escola de cabeleireiros.

Souza lembra que o registro em carteira é evitado pelos próprios cabeleireiros e manicures. “Eles acham que podem ganhar mais trabalhando como prestadores de serviços, já que não têm de pagar encargos sociais”, afirma. Em alguns casos, os profissionais acabam optando por abrir negócio próprio, como forma de evitar os sistema de parceria.

Hélio Soares dos Santos, que trabalha no Parque Santa Edwirges, já trabalhou em estabelecimentos do Centro. “Não compensava, pois no final do mês tinha de deixar tudo que ganhava para o dono do salão”, diz ele, que afirma faturar cerca de R$ 1.200,00 ao mês atendendo apenas clientes do bairro.

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Aspirador

Quando um cliente chega ao salão de beleza de Claudinez Colonhezi, localizado no Jardim Infante Dom Henrique, e se depara com um aspirador de pó, logo deve pensar: “Essa geringonça serve para recolher os cabelos que caem durante o corte”. Quem raciocina dessa maneira está quase certo, a não ser por um singelo detalhe: Colonhez não aspira cabelos do chão, mas sim da cabeça dos clientes.

A técnica foi descoberta meio ao acaso, quando o proprietário (que trabalha com dois sócios) participou de um congresso da área de beleza em São Paulo e presenciou a demonstração de profissional que cortava cabelos com aspirador de pó. “Tentei fazer o mesmo aqui, mas não deu muito certo”, conta ele.

Mesmo fracassando na primeira experiência, Colonhez insistiu no aspirador. “Resolvi usar para aspirar os cabelinhos que ficam nos clientes depois do corte”, diz. Se no começo os clientes estranhavam o uso inusitado do aparelho de limpeza, hoje em dia o aspirador é mania entre os clientes do salão.

“Na época do ‘apagão’ (em 2001) tentei deixar de usar, para economizar energia, mas os clientes cobravam tanto que os aspirador acabou permanecendo”, lembra ele, que considera o método relaxante para o couro cabeludo.

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