Pastel de feira, pipoca de microondas, bolachas recheadas, sorvetes, batata frita. Grande parte das guloseimas, além de saborosas, são também riquíssimas em gorduras trans. E isso não é bom. Elas são os piores tipos de gordura, contribuindo para a elevação do colesterol ruim e para a diminuição do colesterol bom no organismo.
A partir deste mês, todas as embalagens de alimentos têm de indicar a quantidade de gorduras trans, por porção. Isso para que as pessoas possam saber aquilo que estão comendo e possam fazer escolhas. E o único meio de evitar as gorduras trans é esse: lendo os rótulos. Mas, se elas são tão maléficas, por que são usadas? Porque ajudam a dar consistência aos alimentos e a aumentar sua validade e, além de tudo, são gostosas.
“Nenhum restaurante quer vender comida que não é boa, não é?’’, questiona o cardiologista João Carlos Piccirillo, cooperado da Unimed Paulistana e do hospital Santa Helena. Mas ele conta que o consumo aumenta o risco de doenças, principalmente as cardíacas. “Há a formação de placas de gordura no organismo, que se depositam nas paredes das artérias. Isso pode causar enfarto e derrame’’, afirma o médico.
Isso não acontece do dia para a noite, claro. É um processo a longo prazo, mas existem estudos sendo feitos para tentar verificar quais os males que o consumo para mulheres grávidas e crianças. Piccirillo diz que não há uma quantidade recomendada. O ideal seria abolir a gordura trans do cardápio. Mas, como se trata de uma tarefa difícil, ele recomenda tentar ingerir, no máximo, dois gramas por dia.
Essa mudança na dieta, no entanto, não é possível sem a alteração dos hábitos alimentares. “As pessoas têm de procurar fazer uma dieta balanceada, com frutas e verduras’’, fala. Para ter uma idéia, uma única porção de batatas fritas de uma rede de “fast food’’ tem mais que o dobro das gorduras trans recomendadas.
“Avalio que hoje, porém, as pessoas têm mais consciência dos alimentos que estão consumindo. Embora muitas vezes seja difícil ter uma dieta mais saudável no dia-a-dia, pelo menos as pessoas têm consciência daquilo que estão comendo.’’
Um dos problemas relacionados à gordura trans é que, há alguns anos, ela não era a vilã que é hoje. “Antigamente, achava-se que ela era menos prejudicial do que as outras gorduras’’, conta o especialista.
A médica Heliana Soares Afonso Sala, 55 anos, mudou os seus hábitos alimentares após um ataque cardíaco. “O cardiologista recomendou outra manteiga, e eu, por conta própria, substituí o leite de vaca pelo de soja, e o pão francês pelo integral. No início, estranhei o sabor, mas hoje não há café melhor do que esse meu.’’