Política

Esquema de invasão de terra é denunciado no Legislativo

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

O vereador João Parreira de Miranda (PSDB) denunciou ontem, durante a sessão da Câmara Municipal de Bauru, um esquema de invasão de terrenos públicos e privados na cidade. O vereador aproveitou a carta de uma leitora ao JC do último dia 23 de agosto, reclamando da invasão de terrenos no Jardim Marabá, para denunciar o suposto esquema. O vereador ressaltou que o problema de invasão em Bauru não é novo, mas tem se intensificado nos últimos anos. “Desde 1995 que Bauru sofre com o problema de invasão, mas de uns tempos para cá piorou muito”, afirmou.

Segundo Parreira, o problema se repete em outros bairros da cidade, principalmente em áreas não loteadas. Entre os bairros citados pelo parlamentar estão o Parque Santa Rita, Alto Bauru, Jardim Marabá, Jardim Mary, Jardim Europa, Chácara São João, Jardim Flórida, Parque Val de Palmas e algumas áreas perto da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

De acordo com ele, a “quadrilha” cerca o local escolhido, divide os lotes e vende para terceiros apenas por contrato, sem escritura. Depois de vender, o lugar é novamente invadido, na tentativa de recuperar parte da área vendida irregularmente, ou forçar o comprador a pagar para reaver o local. “É uma verdadeira quadrilha. Eles cercam a área e se ninguém aparece para reclamar eles aumentam a cerca, dividem os lotes e vendem para pessoas não informadas, por R$ 60 mil ou R$ 70 mil”, disse.

Entre os possíveis envolvidos, segundo o vereador, estaria Flávio Faidiga, que recentemente perdeu ação por ter ocupado terrenos pertencentes à antiga Ferrovia Paulista S/A (Fepasa). “Ele (Faidiga) disse que comprou a área da Isaura Braga, que se diz descendente do Felicíssimo Pereira, um dos fundadores de Bauru”, comentou. Parreira destacou que Isaura Braga seria a “laranja” no esquema montado pelo advogado Mário Trefillo. “O Trefillo é o mentor intelectual das invasões”, frisou. A reportagem contatou o advogado em sua residência, mas ele não retornou ao recado deixado com seus familiares.

Além desses nomes, o vereador cita um soldado da Polícia Militar, que seria o executor das invasões. O policial se autointitula “Capitão”, e o comando da Polícia Militar teria conhecimento do fato e estaria investigando. “Esse policial é o soldado Alcides, que diz ser capitão, mas é apenas soldado. Tive uma conversa, há algum tempo, com o major Meira sobre esse assunto”, salientou, referindo-se ao major Benedito Roberto Meira, que comandou a 1a Companhia da PM em Bauru.

O Major Meira confirmou que o vereador o procurou na época em que ele comandava a 1a Cia, para falar sobre o assunto. De acordo com ele, as terras em questão fariam parte do espólio de Felicíssimo Antônio Pereira e que o soldado em questão seria um dos herdeiros dessas terras. “Foi feita uma apuração, mas não ficou constatado que o policial tenha invadido áreas de terceiros. A questão dos terrenos do Felicíssimo Pereira está na Justiça e deve demorar um tempo para resolver”, comentou.

O próprio vereador, que atua no ramo imobiliário, teve terrenos de sua propriedade invadidos no mesmo esquema que ele denunciou ontem.

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